Assim como eu, você certamente já deve ter ouvido falar que uma pessoa resiliente é aquela que sofre e suporta pressão, mas retorna ao estado original, “pré-pressão”.

Em qualquer situação de estresse há um impacto que, de uma forma ou outra, gera no indivíduo uma repercussão interna (emocional) e, muitas vezes, externa (comportamental), ou ainda, as duas repercussões ao mesmo tempo.

Ou seja, em maior ou menor grau ocorre uma reação, uma resposta desencadeada pelo ciclo de identificação, sensação e processamento do impacto sofrido perante ao estresse, pode ocorrer uma reflexão momentânea ou prolongada sobre o fato, um comportamento que pode ser de passividade diante da fonte de estresse, – de acatar as demandas do fator estressor, e, neste caso será um comportamento regido pela tristeza.

Ou um comportamento intolerante perante a fonte de estresse, – aqui regido pela emoção da raiva, e a reação comportamental.

Tudo depende do resultado da intensidade aplicada em nossas crenças, e que varia de pessoa para pessoa, de acordo com o que ela crê como verdade em seu contexto de vida.

E os que suportam o estresse?

Quem suporta simplesmente suporta, ou seja, não reage em prol de recursos para modificar a situação da adversidade e, consequentemente, não gera transformação comportamental.

Resiliência é o oposto. É a gestão estratégica e equilibrada do estresse, a maleabilidade entre a tristeza e a raiva, é a flexibilidade e o manejo nas respostas aos impactos sofridos. É a ressignificação de crenças e convicções por meio de novas percepções, mais construtivas e criativas, a fim de promover e potencializar comportamentos resilientes.

E o que são crenças?

Basicamente, a primeira definição que encontramos nos dicionários é: 1 Ato ou efeito de crer, remetendo ao conjunto de ideias religiosas compartilhadas por muitas pessoas; fé religiosa e credos. Também encontramos as seguintes definições: 2 Pensamento que se acredita ser verdadeiro ou seguro; certeza, confiança, segurança – 3 Convicção sobre a verdade de alguma afirmação ou sobre a realidade de algum ser.

Quando falamos em Resiliência podemos afirmar que “Crenças são as convicções de uma pessoa ou grupo de pessoas, é um modelo de representação mental criado pelo reforço de ideias, opiniões, que se inicia geralmente no contexto familiar.” (Dr. George Barbosa). São padrões comportamentais adquiridos em uma determinada sociedade ou cultura, por influências de amizade, religiosidade, política, entre tantos outros núcleos ao longo da vida.

As crenças se formam e se solidificam na medida em que se aplica uma valência nos reforços sociais e / ou emocionais, internalizados por uma pessoa ou grupo de pessoas.

Elas geram a forma de interpretação da realidade dos indivíduos, a partir daquilo que aprenderam a crer como uma verdade, além do tempo de permanência dessa interpretação em seu contexto de vida.

Uma pessoa que passa pelas mesmas adversidades e permanece pautando-se em crenças rígidas, mantendo os mesmos comportamentos e reações de forma que a impossibilite fazer uso de uma adequada decisão frente ao estresse, impede a própria evolução para um comportamento mais equilibrado e, consequentemente, tomadas de decisão mais assertivas.

Como ressalta o Dr. George Barbosa, “a intensidade aplicada às crenças é o que determina um comportamento resiliente”.

E Quando Mudam as Crenças de uma Pessoa?

A partir do momento em que esteja aberta a receber novos estímulos e se propõe a compreender que existem diferentes convicções, que por meio de opiniões muitas vezes consideradas como divergentes de sua “visão de mundo”, podem se apresentar ideias extremamente construtivas, para ela, para o outro, para a equipe, para a sociedade, diferentes de tudo que ela havia recebido como reforço social dos ambientes nos quais esteve inserida.

Ou seja, a partir do momento em que ela se torna consciente de suas crenças e da intensidade que até então aplicava em cada uma delas, a partir do momento em que passa a pensar estrategicamente, apresentando um comportamento de superação inteligente do estresse e, consequentemente, determinando pra si um comportamento resiliente, de forma que os impactos negativos sofridos em situações de estresse, adversidades e conflitos sejam os menores possíveis, ao passo em que as percepções de aprendizado adquiridas nas mesmas situações, sejam extremamente construtivas.

Mas, o principal: não basta tornar-se consciente de suas crenças, é preciso estar disposto para ressignificá-las, é a famosa quebra de paradigmas. É preciso promover autoconhecimento, possibilitando abertura a novos contextos, conceitos, convicções, opiniões, e a partir daí, perceber que é possível ter um olhar de constante aprendizado.

Sempre dotado de flexibilidade, na certeza de que os mais profundos recursos, muitas vezes não identificados anteriormente, por apego e rigidez de antigas crenças, serão aplicados com perspectiva em novos ideais, novos propósitos e intensas possibilidades, nos mais diferentes contextos de vida.

Patrícia Gimenes Roda

Possui mais de 25 anos de experiência em organizações e é certificada Especialista no desenvolvimento de Resiliência pela SOBRARE

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