Desenvolvendo habilidades para se trabalhar com o risco no Coaching em Resiliência


08/07/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Todos nós já lemos ou tivemos que lidar com diferentes riscos.

Nos processos de coaching, em geral, trabalhamos com circunstâncias que envolvem riscos. Desde a ameaça de um desemprego que se avizinha de nosso(a) cliente, até situações de conflitos nas interações interpessoais dele(a).

Saber trabalhar com o risco é essencial na formação do Coach. Por isso mesmo no Coaching em Resiliência desenvolvemos todo, e todo mesmo, o nosso trabalha alicerçados na escala “QUEST_Resiliência”.

Esse instrumento evita que tenhamos iniciativas ou ações com base em nosso feeling ou motivações pessoais dirigidas às sessões de coaching. Antes de expor mais sobre os benefícios da escala, me deixe comentar algo mais sobre os riscos.

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Na “Abordagem Resiliente”, a teoria que formula a conceituação da resiliência, se recorre ao entendimento de que o risco precisa ser entendido como um processo apresentado a partir do momento em que se percebe algum perigo no contexto. Quando o cliente identifica uma fonte de perigo (real ou não), então, começa a se perceber em risco.

O Coach deve saber que, em muitos de seus processos, trabalha com riscos psicossociais. São aqueles identificados nas relações interpessoais e que estão ou não ligados a um elemento físico, como uma máquina, por exemplo. Com o elemento físico presente ou não, o risco psicossocial implica em prejuízos à saúde do cliente. Normalmente encontramos os níveis de estresse mais elevados promovendo maior ansiedade, processos depressivos, sensações relacionadas ao pânico, medo indefinido, ira, alergias, gastrite e dificuldades na pressão arterial.

A soma desses elementos (perigo + nível de impacto + percepção pessoal) é o que entendemos ser uma exposição ao risco.

Com essa compreensão teórica podemos entender que há circunstância com perigo e sem risco para o cliente. Outras nas quais um pequeno perigo, no entanto, o cliente lê como risco à sua pessoa.

A soma ou acúmulo de perigos percebidos como riscos leva-nos à noção de vulnerabilidade nos clientes. Essa condição acontece quando a pessoa não consegue vislumbrar possibilidades de superar o desafio ou obstáculo.

Uma boa avaliação de riscos nos ajuda a identificar as áreas prioritárias de uma intervenção que vise a prevenção do estresse que está relacionado com as condições de perigo e risco na vida de um cliente.

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Agora sobre a escala “QUEST_Resiliência”, ela nos permite fazer a análise do impacto dos riscos percebidos devido a presença de um perigo psicossocial que pode ser obtida pela avaliação das áreas relacionados com a resiliência.

A escala “QUEST_Resiliência” é uma ferramenta de mapeamento das crenças relacionadas à resiliência e indicativa dos índices em cada uma das áreas relacionadas à resiliência. É constituída de duas partes. A primeira é formada por dados gerais de nosso cliente que são importantes para a composição e interpretação dos índices em resiliência em sua vida. Há uma parte chamada de Levantamento Sociodemográfico que, por meio de perguntas fechadas e abertas, coleta informações sobre a história de sua vida.

A segunda parte é composta por um conjunto de 72 afirmações, nas quais se espera que o respondente atribua intensidades de acordo com a sua avaliação. Como por exemplo:

“A forma como me comporto na vida confirma que eu acredito que posso contornar todos os problemas”. Nas quais o respondente vai assinalando o quanto a afirmação é verdadeira. As respostas vão nos mostrar qual a organização dos estilos de expressar resiliência na vida do cliente. Quero dizer, o jeito mais acentuado de reagir face ao estresse.

O cliente pode ter em uma das áreas da resiliência o padrão comportamental de acatar a fonte de estresse. Ou ter o padrão de Equilíbrio em situações de estresse. Por vezes, ter um padrão de se submeter às essas circunstâncias.

São essas informações (teóricas) objetivas que possibilitam ao coach organizar seu diálogo e planejamento. A escala nos dá o posicionamento estatístico entre as condições de risco e de proteção percebidas pelo cliente e por ela nos guiamos quanto a regência do padrão de crenças determinantes e que devemos estar atentos.

Nossa tarefa é nos dirigirmos para a flexibilidade e alternativas nos padrões de crenças de nosso cliente.

Concluindo, posso dizer que a clareza e objetividade que a escala nos oferece nos permite ter o propósito de elevar o valor e significado da vida dos clientes. Como encontrar satisfação no trabalho e na rotina de vida. Também de nos certificarmos sobre o que incomoda ou tira a beleza de seu viver. Sobre a busca de tornar as atividades agradáveis e alegres. Convidarmos o cliente a trilhar a ampliação de sua consciência para alavancar as suas forças internas. De cultivar a sensibilidade para definir itens essenciais na sua vida, o desenvolver um senso de autoeficácia no trabalho e na rotina de vida.

Bem, a escala é apenas um item técnico, objetivo e frio. O que torna a relação entre Coach e Cliente fantástica?

Eu respondo que é a forma como nos posicionamos nas sessões.

Durante o processo no Coaching em Resiliência estamos atentos à pessoa do cliente como um todo. Somos observadores atentos, empáticos e sensíveis às demandas ou necessidades no cliente. Notamos, exploramos as mudanças de energia e emocionais. Somos, curiosos cientificamente, é claro, com a clara intenção de aprender mais sobre as necessidades do cliente.

Por essas atitudes nos tornamos parceiros na jornada do cliente. Apoiando-o a se posicionar livremente em suas contribuições e busca. Essa conduta promove clarificação na aprendizagem, oportunidade do cliente fazer suas eleições.

A escala, … aah …, a escala.

É apenas um item técnico! Bom mesmo são as oportunidades de vivência com o cliente.
O que você acha? Deixe seu comentário.

 

______. Os pressupostos nos Estilos Comportamentais de se expressar resiliência. in: Divulgação Científica: Enfrentamentos e Indagações. Kreinz, Glória, Pavan, Octávio H., Gonçalves, Rute M. (orgs). São Paulo: NJR/USP, 2010.

______. Critérios para a definição da temática do Coaching de Vida fundamentado na teoria da resiliência. George Barbosa (Sociedade Brasileira de Resiliência – SOBRARE, Brasil). IX Congresso da ALAPCO – Associação Latino-americana de Psicoterapias Cognitivas – Temática: Terapias Cognitivas: Agregando Novos Saberes – UERJ – Rio de Janeiro – RJ, 2012. http://www.sobrare.com.br/sobrare/publicacoes.php

Imagens: Projetado pelo Freepik

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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