Como você pode ter um olhar Positivo e Resiliente para Situações de Estresse?


17/08/2017 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Como tornar o estresse seu amigo? Pergunta um pouco quanto estranha, não é mesmo?

Nem tanto. Se pensarmos em resiliência, entendemos que o nosso desafio não é eliminar o estresse, e sim saber lidar com ele de uma forma estratégica e transformando a situação a nosso favor.

Indo por essa linha de raciocínio, encontramos um TEDx da Kelly McGonigal, que explica um pouco sobre essa arte de transformar o estresse em seu aliado.

Separamos o vídeo logo abaixo, e se você preferir ler ao invés de assistir, também vamos deixar o texto para você após o vídeo.

Kelly McGonigal, é psicóloga da saúde e acredita que sua missão é ajudar as pessoas a serem mais felizes e mais saudáveis. Porém, a psicóloga acredita que algo que tem sido ensinado nas últimas décadas pode estar prejudicando mais do que ajudando as pessoas.

Por anos, Kelly McGonigal disse a seus pacientes de que o estresse as deixavam doentes. A psicóloga declara que basicamente tinha transformado o estresse na maior causa das doenças, desde resfriado até uma doença cardiovascular.

Pensando sobre como havia transformado o estresse em um inimigo, decidiu realizar um estudo em que acompanhou 30 mil adultos nos EUA por cerca de 8 anos.

O estudo começa com simples perguntas: “Quanto de estresse você teve no ano passado? Acredita que o estresse é prejudicial a saúde?”.

Pessoas que tiveram muitos momentos de estresse no ano anterior ao estudo tiveram um aumento de 43% no risco de morte.

Pessoas que tiveram muitos momentos de estresse, mas não acreditavam que fosse prejudicial, não estavam propensas a morrer. Na verdade, elas tiveram os menores riscos de morte do que qualquer outro no estudo, incluindo as pessoas que tiveram relativamente pouco estresse.

Pesquisadores estimaram que durante os oito anos em que estavam acompanhando as mortes, 182 mil americanos morreram prematuramente, não de estresse, mas da crença de que o estresse é ruim.

Isso dá mais de 20 mil mortes por ano. Agora, se essa estimativa estiver correta, isso faz com que a crença de que o estresse é ruim a 15ª maior causa de mortes nos Estados Unidos no ano de 2012, matando mais que o câncer de pele, HIV/AIDS e homicídios.

E esse estudo fez Kelly McGonigal pensar: Será que mudar como pensamos sobre o estresse podemos nos tornar mais saudáveis? E aqui a ciência diz que sim.

Quando mudamos nossa opinião sobre o estresse, podemos mudar nossa resposta corporal ao estresse.

Para você entender um pouco melhor como isso funciona, a psicóloga propõe um exercício: Finja que está participando de um estudo projetado para estressa-lo(a). É chamado de teste do estresse social.

Você chega em um laboratório, e dizem para você dar um discurso improvisado de cinco minutos sobre suas fraquezas pessoais a um painel de avaliadores especialistas sentados à sua frente, e para ter certeza que você está sob pressão há luzes fortes e uma câmera bem na sua cara. Os avaliadores foram treinados para lhe dar um feedback desanimador.

Se você estivesse mesmo nesse estudo, você provavelmente ficaria um pouco estressado(a). Seu coração estaria batendo forte, você estaria respirando mais rápido, talvez suando muito.

Normalmente, nós interpretamos essas mudanças físicas como ansiedade ou sinais de que não estamos lidando muito bem com a pressão.

É aqui que Kelly McGonigal traz a mudança no modo de pensar. E se encararmos como sinais de que seu corpo está fortalecido, está se preparando para enfrentar os desafios?

Isso foi exatamente o que foi dito aos participantes em um estudo feito pela universidade de Harvard. Antes de irem para o teste do estresse social, eles aprenderam a repensar sua resposta ao estresse.

Aquele coração batendo forte está te preparando para a ação. Se você está respirando mais rápido, não tem problema. Está levando mais oxigênio ao seu cérebro.

Os participantes que aprenderam a encarar a resposta ao estresse como útil para sua performance, eles estavam menos estressados, menos ansiosos, mais confiantes.

Mas a descoberta mais fascinante para Kelly McGonigal foi como a resposta física ao estresse mudou.

Em uma resposta típica ao estresse, a taxa cardíaca sobe, e os vasos sanguíneos contraem. E essa é uma das razões pelas quais o estresse crônico às vezes está associado a doenças cardiovasculares.

Não é muito saudável ficar nesse estado o tempo todo. Mas no estudo, quando os participantes encararam sua resposta ao estresse como útil e bom, seus vasos sanguíneos permaneceram relaxados.

Parece mesmo muito com o que acontece nos momentos de alegria e coragem. Durante uma vida de experiências estressantes, essa mudança biológica poderia ser a diferença entre um ataque cardíaco induzido pelo estresse com 50 anos e viver bem até os 90.

E é bem isso que a nova ciência do estresse revela, que a maneira como pensamos sobre estresse importa.

Então, seu objetivo como psicóloga da saúde mudou. Quando se encara o estresse com uma nova perspectiva, seu corpo acredita em você, e sua resposta ao estresse se torna mais saudável.

Outro ponto importante que a psicóloga ressalta é um hormônio, a oxitocina. A oxitocina tem até mesmo seu próprio apelido carinhoso, o hormônio do abraço, porque é liberada quando abraçamos alguém.

Oxitocina é um neuro-hormônio. Ela ajusta os instintos sociais de seu cérebro. Te dá uma tendência a fazer coisas que fortalecem relacionamentos próximos. Oxitocina faz você precisar de contato físico com seus amigos e família. Realça sua empatia.

Mas aqui está o que a maioria das pessoas não entendem sobre a oxitocina. É um hormônio do estresse. É uma parte da sua resposta ao estresse assim como a adrenalina, que faz seu coração bater mais forte.

Quando a oxitocina é liberada na resposta ao estresse está motivando a procurar apoio. Sua resposta biológica ao estresse está incentivando a contar a alguém como você se sente em vez de guardar isso para você.

Quando a vida fica difícil, sua resposta ao estresse quer que você esteja ao redor de pessoas que se importam com você.

Ok, como esse lado do estresse vai torná-los mais saudáveis?

Bem, a oxitocina não age somente no seu cérebro. Ela também age no seu corpo, e um dos seus principais papéis no seu corpo é proteger seu sistema cardiovascular dos efeitos do estresse, é um anti-inflamatório natural.

Seu coração tem receptores para esse hormônio, e oxitocina ajuda as células cardíacas a se regenerarem e se curarem de qualquer dano causado pelo estresse.

E a coisa legal é que todos esse benefícios físicos da oxitocina aumentam com contato social e apoio social, então quando você procura pelos outros sob estresse, seja para procurar ajuda ou para ajudar outra pessoa, você libera mais desse hormônio.

Sendo assim, sua resposta ao estresse se torna mais saudável, e você se recupera mesmo mais rápido do estresse. A sua resposta ao estresse tem um mecanismo embutido para a resiliência aliada ao estresse, e esse mecanismo é a conexão humana.

Kelly McGonigal finaliza sua palestra contando sobre mais um estudo. Esse estudo acompanhou cerca de 1000 adultos nos Estado Unidos, em idades de 34 a 93, e eles começaram o estudo perguntando, “Quanto estresse você teve ano passado?”.

Eles também perguntaram, “Quanto tempo você passou ajudando amigos, vizinhos, pessoas em sua comunidade?”. E então eles usaram registros públicos nos próximos cinco anos para descobrir quem tinha morrido.

Pessoas que passaram tempo cuidando de outros não apresentaram nenhum aumento em mortes relacionado ao estresse. Criou-se resiliência.

Quando você escolhe encarar sua resposta ao estresse como útil, você cria a biologia da coragem e quando você escolhe conectar-se com outros sob estresse, você cria empatia e resiliência.

O estresse nos dá acesso aos nossos corações. O coração compassivo que encontra alegria e significado quando se conecta com outros, trabalha duro para lhe dar força e energia, e quando você escolhe encarar o estresse desse modo, você não está somente melhorando o estresse, você está afirmando algo profundo.

Você está dizendo que pode confiar em si mesmo para lidar com as mudanças da vida, estando com maior resiliência na forma estratégica de administrar o estresse e está se lembrando de que você não precisa enfrentá-las sozinho.

SOBRARE

SOBRARE

Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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