Resiliência no empreendedor de pouca idade


03/03/2016 | Publicado por George Barbosa | Sem Comentários


Por que desenvolver resiliência no empreendedor? É comum vermos matérias de destaque que abordam a vida de empreendedores que tiveram sucesso em sua jornada. Se você estiver atento, irá perceber que em sua grande maioria houve momentos de superação.

No Brasil, o número de empreendedores vem aumentando cada vez mais. Segundo a pesquisa “Global Entrepreneurship Monitor”, 34 em cada 100 brasileiros adultos (ou seja, com idades entre 18 e 64 anos) possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio.

Esse cenário envolve mudanças e adversidades, o que requer o desenvolvimento da resiliência no empreendedor. Confira o relato abaixo e veja um exemplo de como a resiliência pode alavancar o empreendedorismo em pessoas que querem iniciar essa prática.

Decisão inicial

Adriana me procurou com um pedido específico. Trabalhar no coaching a ideia de se empreender com resiliência em um novo campo profissional.

Chegou dizendo que, em meio a essa crise financeira que estamos em 2016, fica navegando por dezenas de blogs e sites que estão focados em incentivar o empreendedorismo. Mesmo já tendo construído alguns planos de negócios, ainda se sentia insegura em tomar a decisão inicial. Dar o primeiro e decisivo passo.

Em nossa primeira conversa procuramos deixar bem claro que ela e eu teríamos clareza de que nosso trabalho seria deixar muito bem definido as implicações que estavam envolvidas em sua grande decisão.

Na segunda vez que nos encontramos nós explicitamos no papel exatamente qual era o perfil dela. Com eloquência iniciou sua apresentação se dizendo uma pessoa muito jovem. Acabara de fazer trinta anos e tinha clareza de que ainda era muito, muito jovem e a vida estava pela frente. Também que já havia acumulado quase dez anos de experiência na área da publicidade. Conhecia a rotina de uma agência e era conhecida por um número significativo de clientes e fornecedores.

Eu estava começando a pensar que minha cliente tinha boas chances de conseguir entrar no difícil jogo de empreender.

resiliência no empreendedor

Relatou-me que ao longo de sua trajetória profissional desenvolveu fortes competências em gerir pessoas. Gostava de trabalhar com gente e percebia que possuía algumas habilidades para a gestão de pessoas. Fez-me ver que tinha um espírito inovador. Cultivava aquela qualidade que tanto aprecio encontrar em meus clientes – o gosto pelo conhecimento. Ela investia horas possíveis de sua semana em aprender, conhecer e saber novos conteúdos relacionados com sua experiência. Tanto era que, como se provou, demonstrava ter muitas ideias para colocar em prática.

Outro lado que me fez ver, era que, embora com trinta anos, já estava experiente na arte de lidar com riscos. Sua carreira profissional até ali favorecera trabalhar com decisões que implicavam a gestão de números significativos nas agências. Aprendera que uma decisão errada quanto a dinheiro pode não afetar o negócio, mas duas, pode colocar a saúde financeira da empresa em risco.

Definitivamente eu estava vendo que a cliente possuía muitos dos quesitos que se espera para desenvolver resiliência no empreendedor.

Então, propositadamente, liguei o assunto de gerir recursos financeiros nas empresas em que passou com o tema das suas reservas pessoais de dinheiro. Explicou-me que o valor guardado era limitado. Significava, em outras palavras, economias de sua vida. Daí suas dificuldades em aplica-las em um negócio não certeiro.

Por fim, nesse segundo encontro conversamos de que negócios certeiros são raros, na maioria, existe certa dose de incertezas.

Desenvolvendo a resiliência no empreendedor

Das outras vezes que conversamos, Adriana como a protagonista de seu processo, se propôs trabalhar a seguinte pauta:

1) Buscamos gerar fatos para a análise de seu contexto (um dos referenciais da resiliência)

Tendo em conta os meus conhecimentos e minha experiência, qual é especificamente o serviço ou produto que desejo oferecer no mercado?

2) Queríamos discutir o seu otimismo (característico referencial da resiliência)

Qual seria objetivamente o perfil e as necessidades dos possíveis clientes que iriam valorizar, se encantar a ponto de pagar pelo conhecimento e expertise que eu ofereço?

3) Iríamos focar em seu sentido de vida (mais um referencial da resiliência).

As mídias sociais (Site, Facebook, Linkedin, etc.) refletem exatamente meu perfil e minhas ofertas, de uma maneira que após uma passada por elas, os clientes terão a ideia de terem encontrado a pessoa certa e irão rapidamente enviar-me um email?

4) Procurarmos explorar as possibilidades de conquistar e manter pessoas (outro referencial da resiliência)

Terei um bônus preparado para entregar aos candidatos a clientes. Isso poderá ser um brinde, um livro, um mimo que expresse exatamente a essência do meu trabalho?

 

Em cada etapa do processo foi estruturando um rápido plano de ação:

a) Irei oferecer acompanhamento especializado para clientes que necessitam promover a marca para o segmento da moda

b) Irei me focar em clientes que estão entre 30 e 55 anos, que já tenham experiência profissional e que desejam ter um posicionamento profissional no segmento.

c) Irei estruturar as mídias para apresentarem de forma objetiva essa atuação profissional:

  • SITE – apresentar o serviço de modo limpo e objetivo.
  • FACEBOOK – apresentar o perfil da profissional – o lado humano dessa profissional. (Eventos que eu participar; Atividades que estiver envolvida; Relacionamentos que representem minha identidade).
  • LINKEDIN – demonstrar meus vínculos, competências e habilidades profissionais.

d) Terei em cada mídia um brinde para os clientes conhecerem minha experiência e expertise profissional e se familiarizarem com as habilidades e competências que irão contratar.

e) Liberarei pelas redes sociais conteúdo relevante e importante (conhecimento / saber) para aqueles que já foram identificados como efetivos clientes. Exibir um vídeo com uma breve demonstração, preparar um manual de como fazer, descrever alguma técnica, apresentar os detalhes de um produto, gravar uma aula demonstrativa, etc…

f) Criarei um sistema personalizado (feito para mim!), descomplicado e ágil para os clientes fazerem contato e adquirirem meus serviços ou produtos.

g) Revisarei e testarei cada conteúdo, material ou técnica que for apresentar em meus canais. Não deixarei que os próprios clientes descubram as minhas falhas. Se isso ocorrer, os clientes precisam perceber que foi algo imprevisto e ocasional.

Nosso processo acabou e minha cliente se foi. Viu que poderia sozinha detalhar cada um dos itens e dar início a outras importantes providências.

 

Minha intenção em divulgar essa experiência de desenvolvimento da resiliência no empreendedor não é de apresentar uma receita, mas, de provocar, estimular a jovens empreendedores a iniciarem sua jornada respondendo as questões básicas e primárias para um bom começo. Se você deseja conhecer um pouco mais os referenciais da resiliência assista a uma aula (https://www.youtube.com/watch?v=vkJUlcUD4ZQ) e se fortaleça nessa área também.

George Barbosa

George Barbosa

Graduação em Pedagogia, em Psicologia, Mestrado, Doutorado com ênfase em Psicossomática na PUC de São Paulo. Diretor Científico e Membro pesquisador da Sociedade Brasileira de Resiliência (SOBRARE) e professor da Fundação Vanzolini (USP) e facilitador do Núcleo de Estudos em resiliência da Assoc. Bras. de Recursos Humanos (ABRH-SP). Coach certificado nas modalidades de Coaching Cognitivo de vida, Neurocoaching, Coaching Ontológico e organizador do Coaching em Resiliência (CCR). Associado PCC, MENTOR COAH e Conselheiro na Diretoria da International Coach Federation (ICF) – Capítulo Brasil, Acreditado na International Society for Coaching Psychology – MISCP e ao National Wellness Institute (NWI) e Pós-doutorando em Coaching Psychology e Resiliência (UNIRIO).

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