Resiliência e Gestão de Pessoas: Identificando a Resiliência de Gestores


03/08/2017 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


A intenção desse post, é levar novas informações para os leitores que são apaixonados por temas e pesquisas acadêmicas vinculadas ao tema da resiliência.

O estudo que vamos apresentar, foi elaborado pelo autor, Marcelo Rodrigues Barragan, no Centro Universitário La Salle – Unilasalle, na cidade de Caxias, Rio Grande do Sul, sob a orientação da professora Deisi Nara Bierende, em 2016.

Continue a leitura para você entrar em contato com esse importante estudo e conhecer mais detalhes sobre:

  • Embasamento do Projeto
  • Metodologia de Trabalho
  • Resultados da Pesquisa

A primeira etapa desse trabalho consistiu em buscar nos sites do Banco de Teses e Dissertações da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do Encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD), quantos artigos, dentre os publicados de 2010 a 2015, trariam conceitos relacionados ao tema da resiliência na área da Administração.

Também foram pontuadas as áreas de pesquisa e instituições de ensino que publicaram trabalhos científicos, nestes cinco anos, sobre o tema “Resiliência associada à Gestão de Pessoas” – reunindo 306 produções, porém nenhuma diretamente relacionada ao enfoque da pesquisa.

A segunda etapa do projeto, apresenta a análise dos resultados da pesquisa aplicada para identificar o perfil de resiliência dos gestores entrevistados, feita através do questionário eletrônico QUEST_Resiliência, disponível no site da Sociedade Brasileira de Resiliência (SOBRARE).

desenvolver resiliência

Embasamento

Etimologicamente a palavra resiliência deriva do verbo em latim resilio (re + salio) que significa pular para trás, voltar, ser impelido, recuar, romper. No inglês, a palavra resilient remete à capacidade de elasticidade e rápida recuperação.

Segundo o dicionário da língua portuguesa Ferreira, conhecido como o novo Aurélio, resiliência é “a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora de uma deformação elástica”.

Em 1950, Emmy Werner e Ruth Smith publicaram o primeiro trabalho sobre resiliência pela óptica da Psicologia, identificando os fatores que diferenciavam os indivíduos que se adaptavam positivamente à sociedade e aqueles que não conseguiam sobrepor-se a adversidades, situações definidas como eventos desfavoráveis, imprevistos ou infelicidades que podem envolver desde pequenos acontecimentos até situações de perigo e tragédias.

As pesquisadoras acompanharam durante 32 anos cerca de 500 pessoas, desde o período pré-natal até a idade adulta, das quais um terço “vivia em situações de estresse, pobreza, dissolução do vínculo familiar, pais sem educação escolar, alcoolismo e doenças mentais”.

Elas observaram que apesar das situações de risco a que estavam expostas, muitas destas crianças “conseguiam desenvolver personalidades saudáveis, carreiras estáveis e relações interpessoais fortes”.

Havia ainda um ponto a ser questionado, que não estava no trabalho das pesquisadoras Werner & Smith, mas é de grande importância.

A resiliência é uma característica natural daquelas crianças que foram resilientes durante a pesquisa? Ou seja, elas nasceram assim ou desenvolveram comportamentos resilientes motivadas por alguma influência externa?

Essas questões passaram a ser consideradas na análise do comportamento de pessoas resilientes, dando início a uma nova fase de pesquisas sobre resiliência, que leva em conta a influência do meio familiar, amigos próximos, igreja e até mesmo da escola.

A cada nova pesquisa relacionada ao tema da resiliência suscitavam novas investigações, e a partir dos anos 1990 os pesquisadores descobriram que diferentes composições mentais de superação geravam uma conectividade que dava origem a novas estruturas de pensamentos ou ao que se conhece atualmente como convicção ou crença.

Conner ainda alerta que estas características de positividade, flexibilidade, organização e proatividade “não são independentes umas das outras, pois as mesmas interagem entre si de forma a auxiliar as pessoas a lidarem com situações adversas”.

Dentro desse projeto acadêmico, foi de extrema importância evidenciar os conceitos apresentados acima para embasar a temática da Administração e desenvolver o autoconhecimento, o equilíbrio emocional, dentre outras habilidades que dão apoio aos gestores atuais para que possam lidar estrategicamente com os problemas das suas respectivas organizações.

Em 2010, o psicólogo George Barbosa traduziu e adaptou uma escala Norte Americana de resiliência para o cenário brasileiro, considerando as diferenças geográficas, socioculturais e raciais no país.

Seu questionário online foi batizado de QUEST_Resiliência. O trabalho de pesquisa do professor, tinha como propósito mapear as crenças que organizam o comportamento resiliente em uma pessoa.

Dentro dos seus estudos, encontrou na literatura as diversas crenças possíveis para formar a resiliência de um indivíduo. Essas crenças foram reunidas em oito domínios, chamados Modelos de Crenças Determinantes (MCD) da Resiliência

  • Análise de Contexto,
  • Autocontrole,
  • Autoconfiança,
  • Capacidade de Conquistar e Manter Pessoas,
  • Empatia,
  • Leitura Corporal,
  • Otimismo para com a Vida,
  • Sentido da Vida

Cada Modelo de Crença Determinante pode ter diferentes intensidade analisadas em 3 grandes grupos que categorizam os padrões comportamentais, sendo eles:

  • Padrões Comportamentais de Passividade
  • Padrões Comportamentais de Excelência
  • Padrões Comportamentais de Intolerância

É importante ressaltar que na dissertação do projeto o pesquisador teve a clareza de que um indivíduo pode apresentar uma condição de resiliência diferente para cada um dos Modelos de Crenças Determinantes (MCDs).

Metodologia de Trabalho

No período de abril e maio de 2016 o questionário online QUEST_Resiliência foi aplicado em 22 gestores de empresas distribuídas em algumas cidades do estado do Rio Grande do Sul, buscando-se identificar o perfil de resiliência deste grupo.

O contato inicial com os participantes foi realizado via correio eletrônico (e-mail), pelo qual foram disponibilizadas as informações de acesso ao questionário online QUEST_RESILIÊNCIA.

Resultados da Pesquisa

Inicialmente, o projeto que foi realizado teve como proposta pesquisar e identificar como os pesquisadores atuais analisam o conceito de resiliência e quais as possíveis contribuições desta prática já existentes para a gestão de pessoas.

Em seguida buscou-se então identificar qual o perfil de resiliência de um grupo de gestores entrevistados através da aplicação do questionário online QUEST_RESILIÊNCIA.

Este questionário foi aplicado, no período de abril e maio de 2016, com 22 gestores de empresas distribuídas em algumas cidades do estado do Rio Grande do Sul. Sendo que 2 não responderam, restando, desta forma, 20 entrevistas consideradas válidas.

Entre os respondentes, observou-se que 95% deles possuem até 100 colaboradores em suas equipes e que 60% dos entrevistados são do sexo feminino e 40% do sexo masculino.

A faixa etária variou entre 26 e 54 anos, tendo como média os 39 anos de idade.

Padrão comportamental de excelência

Analisando-se os resultados obtidos a partir das entrevistas aplicadas e considerando-se a condição de excelente resiliência em cada um dos modelos de crenças, demonstra que:

30% dos entrevistados obtiveram a condição de excelente resiliência em pelo menos 1 dos modelos de crenças pesquisados 35% em dois modelos de crenças e 10% em três MCDs.

Destaca-se o fato de que 10% dos respondentes atingiu nível de excelente resiliência em 4 MCDs.

Padrão Comportamental de Passividade

Analisando-se o eixo do percentual de entrevistados, identifica-se que 5% dos gestores avaliados em relação ao padrão comportamental de passividade apresentou boa resiliência.

35% dos entrevistados atingiram a condição de boa resiliência para a crença de Leitura Corporal, acompanhados de 30% dos respondentes que demonstrou a mesma condição para a crença de Análise de Contexto.

No que se refere as crenças da Análise de Contexto, líderes com este perfil possuem bom nível na administração das emoções e costumam colaborar para atingir os objetivos finais em projetos que envolvam alto desempenho pessoal e de equipe.

Padrão Comportamental de Intolerância

Neste quesito verificou-se que 95% dos gestores entrevistados apresentava alguma das condições de resiliência (fraca, moderada, boa ou forte) para pelo menos uma das crenças pesquisadas.

Nos resultados das entrevistas, observou-se também que 5% dos gestores pesquisados apresentou apenas o comportamento padrão de intolerância para todos os modelos de crenças.

Nesta situação, predominou a fraca resiliência para as áreas de Autocontrole, Leitura Corporal, Sentido da Vida e Otimismo com a Vida.

Gestores com este perfil para Otimismo com a Vida tendem a apresentar comportamento agressivo e ansioso, com relativa tensão física e emocional, com otimismo acentuado e foco apenas nos pontos positivos da realidade.

Todos os resultados, gráficos e tabelas apresentados na monografia, você poderá conferir no projeto completo.

Conclusões finais

Foi possível concluir que esta pesquisa teve início com o objetivo de analisar as produções científicas realizadas no Brasil sobre o tema resiliência com enfoque em gestão de pessoas na área da administração.

Dentro dessa análise, o autor do projeto (Marcelo Rodrigues Barragan) mostra a necessidade de que novos estudos com este enfoque sejam realizados pelas instituições de pesquisa brasileiras, visando o aprofundamento deste tema para o preenchimento desta lacuna bibliográfica.

A resiliência é formada a partir de um conjunto de crenças que, organizadas em grupos ou modelos, auxiliam na definição do comportamento resiliente em um indivíduo na situação de forte estresse.

Identificou-se nesta pesquisa que a maioria dos entrevistados apresentou condições excelentes de resiliência para os conjuntos de crenças analisados.

Esta condição demonstra que os gestores possuem facilidade em compartilhar a sua visão sobre a vida e sobre o ambiente em que vivem, em desenvolver a empatia e em conquistar as pessoas, auxiliando na melhoria do desempenho de suas equipes nas atividades realizadas e nos desafios enfrentados.

Dentro do projeto você poderá ter exata noção do quanto os objetivos de identificar o perfil de resiliência dos gestores entrevistados foi atingido. Novos estudos poderão ser realizados, contemplando um público maior de entrevistados, com foco em aprofundar esta temática e em apoiar os gestores no aprimoramento de suas habilidades e na superação dos desafios de gestão de suas equipes.

Acesso ao Trabalho Completo

Acreditamos que esse projeto possa inspirar outros pesquisadores e explorarem o tema da resiliência em diferentes âmbitos e possibilidade de estudos,

Para ter acesso ao trabalho completo do Marcelo Rodrigues, clique aqui e entre na publicação no site da SOBRARE.

Você que deseja elaborar o seu projeto acadêmico com o auxílio da SOBRARE e desenvolver a Abordagem Resiliente dentro do seu tema de estudo, entre em nosso site e veja como podemos lhe ajudar.

SOBRARE

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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