Organizando os Resultados do Quest_Resiliência


08/06/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


O Quest_Resiliência é o instrumento que garante todo subsídio para que pesquisadores possam elaborar pesquisas acadêmicas que analisam os comportamentos resilientes de uma população específica. Para ter acesso ao instrumento já publicamos aqui no blog, quais são os procedimentos para essa solicitação.

Mas, efetuar a solicitação do instrumento é só o primeiro passo e os pesquisadores não encontram muitas dificuldades nessa etapa do projeto. Até mesmo a aplicação do questionário para coleta dos dados é um procedimento que pode ser realizado de maneira simples com a plataforma de gestão da pesquisa dentro do site da SOBRARE.

Então, o que realmente pode gerar preocupações e pode vir a ser um fator que interfere na qualidade do produto final dos projetos de pesquisa, é a análise dos resultados obtidos com o Quest_Resiliência.

Depois de todos os dados em mãos, qual o direcionamento que o pesquisador (a) deve ter para elaborar a análise dos resultados? E como é possível descrever os principais pontos relevantes da pesquisa de acordo com as hipóteses e objetivos de cada projeto?

Nesse post vamos abordar uma visão inicial do modo como os resultados podem ser interpretados e por onde é possível começar a descrição de cada área da resiliência.

É muito importante ressaltar que esse texto abordará apenas uma introdução das possibilidades de trabalhar com os resultados obtidos com o instrumento, pois os objetivos de cada projeto são muito diferentes e cada pesquisador terá a visão dos resultados com diferentes perspectivas e de acordo com cada necessidade.
Acompanhe o texto porque agora, vamos aos pontos importantes.

Definição de resiliência e a Abordagem Resiliente

A resiliência é uma capacidade na vida que é aplicada para vivências de prazer, de sofrimento ou assuntos existenciais. Note que, mesmo para as vivências de prazer, necessita haver uma experiência de angústia para que a resiliência se evidencie. Sem angústia, ela não floresce.

Quando alguém passa por uma experiência muito difícil, mas que não lhe suscita o surgimento de angústia, essa pessoa faz o enfrentamento utilizando-se de suas competências quanto às respostas já aprendidas e guardadas para serem utilizadas a qualquer momento de necessidade – Essas são habilidades conhecidas como coping.

Sabe-se que o coping se adequa ao medo, à inadequação, à falta de experiência e mesmo para a superação, por exemplo.

No entanto, o coping não ajuda quando há em curso uma situação angustiante. Isso porque as situações que mobilizam a angústia existencial fazem surgir um questionamento da seguinte ordem: Nunca lidei com isso. Não tenho referências para me guiar. Como vou resolver esse desafio ou problema?

Angustia-e-Resiliência

Nessas circunstâncias, nas quais não há parâmetros estabelecidos e que colocam a sobrevivência em cheque, as pessoas necessitam se voltar para dentro de si e mobilizar a sua resiliência pessoal – recursos até então não conhecidos ou que não estão presentes no repertório de respostas prontas. Tendo essas premissas em consideração, desde 2009, a SOBRARE compreender a resiliência de forma mais ampla e ainda estruturar o referencial teórico que denominamos de Abordagem Resiliente.

Nessa abordagem teórica a resiliência é definida como a capacidade de balancear as crenças na presença de perigos e riscos, por meio da gestão do racional e do emocional, visando potencializar a identificação e interpretação dos processos intrínsecos em determinada adversidade, por meio da visão orientada para aspectos positivos de si e da vida, que resulta na ressignificação com maturidade dos comportamentos, que é o “estar resiliente”.

O conjunto desses comportamentos resilientes gera uma condição de proteção.

Mapeamento da Resiliência

Ao ler o relatório do mapeamento da resiliência, tenha em consideração que a escala “Quest_Resiliência” com os seus desdobramentos não tem como objetivo avaliar ou mensurar tipos ou perfis psicológicos. O questionário se propõe a um mapeamento das crenças que organizam o comportamento resiliente e apresenta como uma pessoa estrutura os padrões de crenças perante o estresse.

Sua finalidade e sua utilidade estão em mapear a intensidade das crenças que uma pessoa ou equipe possui e apresentá-las de forma organizada.

Por meio desse mapeamento se busca identificar padrões de pensamento, de experiência física e de comportamentos nas interações do ambiente recorrendo aos pressupostos da psicoterapia cognitiva, em particular, a terapia cognitivo-comportamental.

De acordo com Beck (1963; 1964) podemos dizer, que os comportamentos de respostas diante de uma situação de adversidade não são estruturados a partir do tipo de estresse, vivenciado em uma dada situação, mas, sim pelo modo como a pessoa atribui significado a tais situações.

Freeman e Dattilio (1998) descrevem que as estratégias de interpretação dada a cada uma dessas vivências irão se configurar de acordo com as representações que anteriormente foram atribuídas a tais situações ou em condições similares.

As atribuições que a pessoa em sua fala ou respostas apresenta, estão alicerçadas no conteúdo dos esquemas básicos (modelos) que estruturou ao longo de sua vida.

Dentro dos modelos de crenças, em geral, a pessoa elege, ao longo de sua vida, as crenças que lhe parece mais apropriadas para o enfrentamento (interpretações) que deve fazer, e, com o passar do tempo acaba selecionando e ficando com um agrupamento dessas crenças que aqui denomino de Modelos.

São modelos de crenças que irão determinar o modo de expressar o comportamento e com isso são constitutivos da resiliência pessoal.

Assim, a interpretação ou atribuição de um significado atua como variável mediadora, entre aquilo que é consenso de realidade para os envolvidos e o comportamento de resposta do respondente.

Dessa forma vemos que esses fundamentos são organizados em diagrama (Freeman at al, 1990):

Interpretação do Real
↑↓
Emoção
↑↓
Esquemas básicos de Crenças Determinantes
[superestruturas cognitivas]
↑↓
Crenças básicas
↑↓
Fluxos Cognitivos
↑↓
Pensamentos Automáticos

Tanto de forma ascendente, como no modo descendente as setas indicam haver uma afetação recíproca nas várias etapas, propiciando que o emocional afete o processamento da informação, que por sua vez, também impacta e constitui o comportamento, que, da mesma forma, também afeta as interpretações de significados e as atribuições realizadas pela pessoa.

Quando se efetua um treino ou capacitação em alguma das etapas ocorrem alterações em todo o sistema, e assim, se avança para a mudança desejada. No caso da resiliência, o seu produto final – a superação por meio da flexibilidade em crenças coerentes entre si e o contexto.

A partir desses pressupostos nós elaboramos a seguinte organização:

Interpretação do Real
↑↓
Emoção
↑↓
Modelos de Crenças Determinantes (MCDs) que
equivalem às estruturas cognitivas mediadoras
do comportamento

Modelos de Crenças Determinantes

Esse modelo teórico nos leva a concluir que qualquer subsídio, que venhamos oferecer a um mapeamento dos índices de resiliência, com o propósito de modificar o comportamento – com vistas a um estilo comportamental mais resiliente, deve ocorrer sobre a forma de a pessoa processar informações – sua ressignificação.

Tal subsídio possibilitará a aquisição de novos conhecimentos que resultariam em um novo modelo de processamento de informações, e, por conseguinte, futuras mudanças comportamentais.

Os Modelos Determinantes equivalem as estruturas cognitivas localizadas na memória inconsciente que estruturam o processamento do real. O comportamento de superação se viabiliza por meio de um estilo, que é a tendência da ação comportamental.

Intensidade nos Modelos de Crenças Determinantes (MCD)

A intensidade para um grupo específico de um Modelo de Crenças Determinantes (MCD) pode se configurar de três formas:

Em primeiro lugar, como de Equilíbrio entre as possibilidades de “acatar” ou “rejeitar” as implicações apresentadas pela dinâmica do estresse elevado. Nesse caso, trata-se de uma dinâmica de administração de equilíbrio, adequada da resiliência (Freeman, 1998).

Em segundo lugar, a intensidade pode se configurar como um comportamento de Passividade com as situações adversas (Barbosa, 2006). É quando a intensidade atribuída às crenças se revela com uma predominância do comportamento de “acatar” e “absorver” os impactos que o estresse provoca.

Ou ainda, em terceiro lugar, o comportamento de Intolerância para com as implicações do elevado estresse. A intensidade atribuída às crenças, neste estilo, pode se configurar predominante em “rejeitar” ou “reagir” contra (atacar) aos impactos do estresse.

Tanto no estilo comportamental de “acatar” ou “rejeitar” poderá haver uma maior segurança com menor vulnerabilidade ou menor segurança com uma maior vulnerabilidade em cada MCD.

Ao finalizar a etapa de coleta dos dados da pesquisa, será entregue ao pesquisador, por meio da plataforma da SOBRARE, a tabela com todos os resultados, de cada um dos respondentes, com todas as intensidades que foram encontradas na população de estudo.

Assim, o pesquisador terá uma visão ampla e geral de quais são os aspectos que mais predominam na população mapeada, e quais são as possibilidades de analises que estes resultados oferecem.

A intensidade de cada respondente também é entregue ao pesquisador por meio do Relatório individual de cada respondente. Mostrando quais são as características de cada intensidade, para todos os Modelos de Crenças que regem a Resiliência.

Os estilos comportamentais

O Estilo tende a ser identificado como um padrão, pois em geral, quando a ação comportamental se expressa, ela se apresenta com o seu estilo.

O Estilo evidencia a intensidade com que uma pessoa acredita e defende suas crenças de uma área específica. Dessa forma, o Estilo evidencia o quanto uma pessoa age com intolerância diante de uma situação adversa ou com passividade face aos impactos e consequências do estresse vivenciado, isso devido ao modo como gerencia suas crenças.

Relatório emitido para o mapeamento da resiliência

O relatório tem o objetivo de consolidar os resultados encontrados em sua pesquisa quanto aos índices de resiliência na equipe.

No texto procurou-se evitar termos como “alguma”, “possível”, “certa”, por se entender desnecessários. O pesquisador necessita ter a exata noção de que um quadro descrito como Condição de Boa resiliência no Padrão Comportamental de Intolerância, não possui a gravidade das descrições da Condição de Moderada resiliência do mesmo Padrão Comportamental e MCD. Por isso mesmo, não pode inferir que o resultado expressado significa uma dinâmica psicológica do respondente ou que se generaliza para todos os modelos de crenças.

Graficos

Sempre há um grande número de pesquisadores que perguntam:

O respondente obteve a categoria de condição de FRACA resiliência no MCD Autoconfiança, quer dizer que o respondente é uma pessoa fraca?

Esse é um erro que indica desconhecimento do suporte teórico da ferramenta.

O questionário e o seu relatório em momento nenhum faz indicações de perfis psicológicos. Se uma pessoa é introvertida/fraca, etc., no seu tipo psicológico, tais características não são indicadas no relatório.

O que o conteúdo do relatório do exemplo acima quer dizer é que a intensidade que o respondente designa ao Modela de Crença Determinante (MCD) é elevadíssima e se apresenta como uma área sensível ao estresse e está em condição de fraca resiliência nas crenças daquele determinado MCD.

Para todos os resultados no relatório é apresentada a interpretação e uma orientação.

A razão dos dois aspectos (interpretação e orientação) serem apresentados é simplesmente para ampliar no pesquisador (a) a compreensão da dinâmica da resiliência.

Ressaltamos que as análises são efetuadas tendo em conta cada um dos MCD em particular.

Para não ficar um post gigante e chato de ler

Nos argumentos desse texto apresentamos somente comentários gerais que exemplificam a argumentação que o pesquisador deve estruturar ao ter os relatórios e tabelas em mãos e iniciar sua análise e descrição em cada um dos 08 MCDs que mapeiam a resiliência.

Indicamos o post que aborda os detalhes da tabela de categorias e no decorrer do texto você encontrou outras referências que podem ajudar no desenvolvimento de seu projeto científico.

Nossa equipe está sempre em busca de novos conteúdos para compartilhar com você e alavancar o desenvolvimento da resiliência em nosso país.

Deixe seu comentário sobre o que você sente dificuldade em produzir um projeto científico sobre resiliência ou quais são as suas fraquezas nos momentos de angustia onde é preciso ter comportamentos resilientes.

SOBRARE

SOBRARE

Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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