O significado da resiliência para médicos residentes: 63,6% dos médicos residentes possuem forte resiliência


24/08/2012 | Publicado por SOBRARE | 2 Comentários


Hoje trouxemos para apresentar mais uma pesquisa de grande relevância para o avanço dos estudos no campo da resiliência. Rosana Trindade Santos Rodrigues é Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e defendeu em Maio de 2012 sua teste “RESILIÊNCIA E CARACTERÍSTICAS DE PERSONALIDADE DE MÉDICOS RESIDENTES COMO PROTEÇÃO PARA O BURNOUT E QUALIDADE DE VIDA“. A tese foi apresentada ao Curso de Pós Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Título de Doutor em Ciências da Saúde.

Burnout é uma síndrome que resulta do estresse profissional e está associada à dificuldade de enfrentar adversidades tanto ambientais quanto pessoais. Em médicos residentes, Burnout manifesta-se especialmente durante o primeiro ano do treinamento. Os estudos mostram que alguns indivíduos enfrentam as adversidades de forma saudável e conseguem evitar adoecimento. Diante da amostra estudada, verificou-se que 63,6% dos médicos residentes possuem forte resiliência apresentando menor índice de Burnout e melhor Qualidade de Vida.

A discussão levantada foi de que o primeiro ano da Residência Médica é um marco na formação do médico e deve receber a atenção dos profissionais de saúde mental no estudo e desenvolvimento de técnicas que ajudem sua proteção, uma vez que Burnout pode gerar danos pessoais e profissionais e a resiliência, compreendida como uma característica multideterminada, pode ser desenvolvida em médicos residentes como forma de proteção para Burnout. Dra. Rosana concluiu neste estudo que o comportamento resiliente protege o médico residente contra Burnout.

Leia uma pequena entrevista que fizemos com a autora deste estudo:

SOBRARE – Resumidamente, sobre o que sua tese trata?
Dra. Rosana – Estudei características de personalidade e Resiliência com Médicos Residentes para saber a influência positiva de tais características no enfrentamento do desagste emocional da tarefa diária.

SOBRARE – Qual o papel da SOBRARE nesta pesquisa? Quais os recursos disponibilizados a você e como foi contar com o suporte dado?
Dra. Rosana – Quando finalizava minha tese entrei em contato com Dr. George Barbosa que prontamente me ofereceu subsídios teóricos sobre a Resiliência, a partir da Tese de Doutorado que ele desenvolveu. Estes subsídios me ajudaram a incrementar e direcionar a discussão.

SOBRARE – Se o médico residente identificar sua vulnerabilidade, como é possível ajuda-lo a evitar o estresse?
Dra. Rosana – Acredito que talvez não seja possível evitar o estresse, mas trabalhar com ele de forma a não adoecer. O trabalho é através da conscientização, mudanças de crenças e desenvolvendo resiliência.

SOBRARE – Se o médico residente não tiver resistência para dar conta do estresse que esta submetido, que consequência pode ter?
Dra. Rosana – Ele pode adoecer e se afastar da sua atividade profissional, que atualmente ocorre com frequência.

SOBRARE – O ambiente de pressão e cobrança tem sido, para muitos, uma estratégia de ensino e a resiliência propõe apoio e proteção. De acordo com seu trabalho, onde estão os ganhos em o médico ser resiliente?
Dra. Rosana – Os ganhos estão exatamente na possibilidade de exercer uma tarefa que por si já é desgastante de forma saudável. Mais do que isso o trabalho precisa começar no ensino, mudando a estratégia de pressão e cobrança para um ensino com apoio e proteção.

SOBRARE – Que futuras aplicações a Dra. enxerga pela frente?
Dra. Rosana – Tenho interesse em desenvolver estudos e intervenções neste campo e com estes profissionais, com uma expectativa de mudanças no ensino médico e na promoção de saúde para estes profissionais.

A SOBRARE participou deste processo subsidiando a fundamentação teórica e estatística a esta pesquisa com cunho científico. Para ter acesso a tese completa, clique aqui.

 

Rosana Trindade: Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (2005); Especialista em Psicologia Hospitalar pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1994); Especialização em Terapia Familiar pela Universidade Federal de São Paulo (2002); Graduada em Psicologia pela Faculdade Paulistana e Ciências e Letras (1993). Atuação profissional: Psicóloga Clínica em consultório particular. Professora e Supervisora de Estagio em Psicologia da Saúde na Universidade Anhembi Morumbi e Professora em Tempo Integral no Curso de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi.

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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2 Comentários

  1. Edileuza Belmont disse:

    Parabéns à Dra Rosana pela Tese e à SOBRARE por colaborar com mais um trabalho de grande importante no âmbito científico, e de relevância para a promoção da Resiliência Humana.



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