3 motivos pelos quais você não desenvolve sua resiliência (e como resolver!)


21/03/2016 | Publicado por SOBRARE | 1 Comentário


Maria tinha dificuldades de se manter em um bom emprego. Quando tinha a oportunidade de desenvolver sua carreira dentro de grandes empresas, logo algo começava a dar errado. Ou era a falta de entrega, o baixo desempenho ou até mesmo falta de relacionamentos com os colegas de sua equipe.

Era quase imperceptível o que acontecia no interior da Maria. No início de sua carreira, ela trabalhou em uma empresa onde sofreu fortes abusos morais. Na época, por ser inexperiente, Maria não teve a orientação de como proceder diante dos fatos e assim deixou a experiência negativa se tornar parte marcante em sua história. O que ela não imaginava era que essa experiência iria continuar impactando nos empregos seguintes.

O fato que ocorreu no passado ainda está sendo carregado por suas crenças no presente, mesmo que não tenha ciência disso.

Existe motivos para Maria desenvolver esse tipo de comportamento e é sobre isso que vamos conversar nesse post. Nós vamos explorar três motivos que, em geral, nos impedem de se livrar de crenças prejudiciais e desenvolver nossa resiliência.

 

Primeiro motivo para não desenvolver resiliência – Ficar preso a pensamentos do passado

desenvolver resiliência

Experiências negativas do passado e que não são compreendidas ou superadas, passam a nos acompanhar e afetam diretamente em nosso emocional. Durante a vida vamos acumulando diversas experiências negativas e que, por vezes, passam sem serem resolvidas.

Você já não pensou naquela velha frase: Não se preocupe com isso [problema], logo passa!

Pois bem, nem sempre passa. E essa falta de resolução acaba por nos fazer criar e alimentar uma nova crença negativa que ao decorrer de nossas vidas nos impede de termos atitudes criativas para a resolução de problemas.

As experiências passadas nós não conseguimos mudar, pois ainda não descobrimos um modo de voltar no tempo para alterarmos o que aconteceu. No entanto, os sentimentos que são produzidos a partir dos pensamentos negativos, nós temos condições de alterar.

Podemos analisar tais sentimentos e interpretar de que forma isso afetou em nosso passado, e assim, buscar encontrar pontos positivos ou lições que ajudem a enfrentar o presente com um olhar otimista.

Lembre-se que suas emoções não são fixas, elas podem se alterar. Isso irá depender da forma como você formata seus pensamentos, suas avaliações e principalmente, suas convicções.

Como resolver?
Quando você perceber que, em determinadas situações, ocorrem com frequência os mesmos comportamentos negativos como resposta, algumas perguntas podem ser feitas para esclarecer o que está acontecendo em seu modo de pensar:

  • Porque estou tendo esse tipo de pensamento?
  • O que esse pensamento pode acarretar em minhas atitudes
  • Que tipos de atitudes podem ocorrer caso eu mude os meus pensamentos?
  • De que maneira posso avaliar esse problema tendo um olhar diferente?

Essas perguntas desenvolvem a habilidade de identificar consequências nas decisões, interpretar as situações de forma correta, ter a capacidade de analisar o ambiente para planejar soluções e analisar as razões e motivos. Além disso, desenvolver a capacidade de controlar o comportamento de modo flexível, controlar o temperamento e ter controle no impulso de agir.

Segundo Motivo – Seguir sempre os mesmos padrões

desenvolver resiliência

Como dissemos anteriormente, nosso cérebro recorre a fatos anteriores para decidir qual será a ação que iremos tomar frente a uma adversidade.

Desde a nossa infância, e, ao decorrer da nossa vida, nós vamos armazenando crenças. Crenças que, com o passar do tempo, vão se tornando enraizadas e determinam profundamente os nossos padrões de comportamento.

Você já não se viu diante de uma situação onde tomou uma determinada ação e depois disso pensou: Isso sempre acontece comigo!

Nós, nos deparamos com essa percepção por termos a propensão de seguirmos os padrões que nosso cérebro estabelece. Não entendeu? Pense no exemplo que vamos dar abaixo…

Nosso cérebro funciona como uma biblioteca, a cada fato importante ou que marca as nossas vidas ele monta um arquivo dentro dessa grande biblioteca contendo lembranças de cores, cheiro, sons, imagens e emoções desse fato. Quando estamos diante de uma grande adversidade, nosso cérebro faz uma pesquisa nessa imensa biblioteca e seleciona arquivos que possuem alguma relação com o que está acontecendo no atual momento.

Após essa seleção, o nosso cérebro começa a verificar quais ações foram tomadas nessas lembranças e então começa a configurar, com base no passado, uma ação para a situação que está acontecendo no presente.

Dica: O filme Divertida Mente (Pixar/2015) mostra de forma visual uma teoria de como é o funcionamento do cérebro quando se trata de nossos pensamento, crenças e emoções.

Como resolver?
Você deve ter pensado: Ok? Mas se esses pensamentos são fixados na minha grande biblioteca desde a infância, como é possível mudar essas crenças?
Nós aqui na SOBRARE temos uma pequena prática que aplicamos quando temos a intenção de resolver esses questionamentos. É uma tabela simples, onde respondemos e pensamentos sobre as perguntas que fizemos no tópico anterior.

Meus questionamentos [Reflita e escreva em mais ou menos 5 linhas sobre o que você pensa para responder as perguntas] [Reflita e escreva em mais ou menos 2 linhas outras formas de você reconstruir esses pensamentos]
Porque estou tendo esse tipo de pensamento?
O que esse pensamento pode acarretar em minhas atitudes?
Que tipos de atitudes podem ocorrer caso eu mude os meus pensamentos?
De que maneira posso avaliar esse problema tendo um olhar diferente?

Terceiro motivo – Autossabotagem

O último motivo pelo qual não desenvolvemos nossa resiliência é a autossabotagem. A autossabotagem é um mecanismo que nossa mente desenvolve na tentativa de não haver nenhuma grande mudança na vida e manter os padrões que seguimos.

A autossabotagem, algumas vezes, pode ser considerada como um mecanismo de proteção do seu bem-estar.

Lembra que no decorrer desse post falamos sobre o pensamento “Isso sempre acontece comigo”? Então, usamos esse tipo de pensamento para justificar algo em nosso passado e que continua a acontecer.

O problema do pensamento acima é que acaba por desencadear diversos comportamentos de autossabotagem de uma forma quase imperceptível e automática.

Pessoas que desenvolvem comportamentos de se conformar com a situação não têm o costume de questionar as razões de estarem constantemente tropeçando na vida. Já que as coisas não estão dando certo, cria-se a ideia de que é preciso aceitar o desenrolar da vida mesmo quando nada está indo bem.

Essa é uma forte característica da autossabotagem, o pessimismo. Principalmente quando estamos frente á situações novas ou que demandam uma mudança de comportamento.

Acabamos por ficar cegos diante de uma situação. Perdemos a nossa capacidade de analisar o que está ocorrendo, a nossa capacidade de encontrar soluções para o problema, de encontrarmos pessoas que possam nos ajudar a encontrar alternativas de resolução. Enfim, uma série de empecilhos.

Como resolver?
Mudança de comportamento nunca é fácil! Isso significa sair da nossa zona de conforto, deixar de seguir os padrões estabelecidos pela sua mente.

O mais importante aqui é entender que diante da mudança de comportamento ou de uma adversidade não será o nosso “eu” que irá agir, e sim o mecanismo de defesa, o nosso precioso e camuflado mecanismo de autossabotagem.

Esse mecanismo envolve:

  • Uma série de crenças que estão diretamente relacionadas a uma determinada situação que ocorreu no passado
  • Situações que não foram superadas ou compreendidas até o presente momento
  • Crenças limitantes, pessimismo ou medo

a) Crie novas ideias que possibilitem encontrar caminhos ainda não explorados para aprender a viver o presente.
b) Após encontrar esses novos caminhos, é importante avaliarmos como foi o nosso desempenho.
c) Buscar entender o que foi feito de diferente dessa vez e funcionou
d) Quais foram os pontos positivos dessa mudança que podem ser cultivados
e) Se permitir apreciar, desfrutar, os resultados bons que a mudança irá trazer.

—-
Esses são três motivos pelos quais, normalmente, desenvolvemos muito pouco a nossa resiliência. Existem outros, mas nesse post vamos ficar apenas com esses três. Se soubermos trabalhar com cada um desses motivos, iremos adquirir uma maior clareza sobre os nossos comportamentos, o que irá facilitar e muito o desenvolvimento da resiliência diante da adversidade.

São passos que não irão ser aplicados da noite para o dia, e nem deve. Esse será um exercício diário, que podemos ir aplicando aos poucos em nosso ambiente profissional e pessoal.

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Imagens: Vector Negócio desenhado por Freepik

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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1 Comentário

  1. Beni Cairolli disse:

    Como sempre, excelente texto! Entretanto, as crenças estão arraigadas e são inerentes a nós, seres humanos. Nem sempre é possível trazermos à consciência a “raiz do problema” e livrarmo-nos das “velhas roupas” ou, até mesmo, renová-las. De qualquer modo, o artigo nos ensina alguns caminhos, por meio de questionamentos, que são bem interessantes. Parabéns!!!



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