Modelos de Crenças da Abordagem Resiliente


23/06/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Logo de cara, esse post trará o desafio de pedir para você imaginar a resiliência como uma grande cesta que guarda comportamentos que são inatos e também desenvolvidos nos ser humano.

Cesta

Esses comportamentos afloram nos momentos em que passamos por fortes adversidades, a fim de viabilizar a condução das decisões e ações para alcançar resultados esperados, muitas vezes passando por algum tipo de estresse.

Quando há falta de comportamentos resilientes, as pessoas têm a tendência de entrar em um modo “degradado de performance”, ou seja, perde a capacidade da melhor as tomadas de decisões ou execuções, agindo sistematicamente com base em seus “instintos de sobrevivência”, priorizando estritamente o ataque ou a fuga em relação ao desafio de uma adversidade.

“A resiliência é composta por agrupamentos de crenças que são utilizadas para determinar o nosso comportamento, principalmente relacionados com os enfrentamentos da vida, superação e autorrealização.”

Com base na Abordagem Resiliente, esses agrupamentos são chamados de Modelos de Crenças Determinantes. Esse é um tema que já abordamos no blog no post – Comportamento resiliente: Aplicações e propósitos da escala Quest_Resiliência.

Esse agrupamento ganhou a abreviatura de MCDs, e é a chave central nos projetos desenvolvidos com o apoio da SOBRARE.

Nesse post, você poderá encontrar o detalhamento de cada um desses modelos de crenças. Vamos iniciar com 4 MCDs para você aprofundar o seu conhecimento e no próximo post falaremos dos detalhes de mais 4 MCDs que regem os comportamentos resilientes.

Separe uma forma para você anotar os pontos que são mais relevantes para o seu aprendizado e desenvolvimentos.

MCD – Empatia

Essa é uma área da resiliência que atua na determinação da capacidade de emissão de mensagens de tal forma que a outra pessoa, ao recebê-la, as interprete e as perceba como coerentes para ela e para sua realidade, sendo capaz de respondê-las com reciprocidade criando um compromisso com o emissor da mensagem.

Imagine uma situação onde um líder realiza uma reunião e leva as informações de forma escrita e falada, levando em consideração a linguagem adequada para o público-alvo desse encontro. Esse é um líder que consegue enxergar “pelos olhos” das outras pessoas envolvidas no contexto e que gera confiança e conta com a reciprocidade da equipe e de outras pessoas que possam estar envolvidas em um determinado projeto.

Esse é um líder que exerce a competência comportamental de ser empático nas proposições da resiliência.

empatia

Para promover resiliência nessa área, um treino muito simples (mas pouco considerado) é a utilização do timbre de voz. É necessário buscar sempre o treino de adotar um timbre de voz natural, que não seja muito grave nem muito agudo, que não provoque reações negativas em outras pessoas. Falar com a voz muito aguda, por exemplo, usando um tom de voz mais fino, demonstra fraqueza e gera reações negativas e de insegurança no outro, interferindo na reciprocidade ou no comportamento, pois as pessoas não se comprometem com questões consideradas “instáveis” ou “incerta”.

Um segundo treino, muito importante nessa área, é desenvolver a capacidade de aproximação das pessoas. É preciso manter o treino de permitir que as pessoas do seu convívio, se aproximem de você e lhe conheça melhor. Essa é a base da reciprocidade e da confiança. O ser humano só confia naquilo que conhece, e sempre mantém essa ordem.

MCD – Conquistar e Manter Pessoas

É a área da resiliência que atua nas crenças que determinam a capacidade de atração e envolvimento de outras pessoas para uma mesma causa.

Também de se manter vinculada a outras pessoas. Dessa forma, é uma área que possibilita agregar e cultivar relacionamentos, tornando-os consolidados e duradouros.

Implica em ter iniciativa para se conectar a novas pessoas sem receios, medo do fracasso dessas aproximações. Como também na capacidade de manter tais pessoas próximas de si com a adequada força em suas iniciativas de manutenção dos vínculos.

O propósito está na formação de fortes redes de apoio e de proteção.

A resiliência nessa área promove a flexibilidade para agregar pessoas em torno de si e de projetos, cativar pessoas e grupos, investir e promover a qualidade de vida de outros e consolidar redes sociais de proteção, e por isso mesmo, é essencial ser bem desenvolvida em pessoas que exercem o papel de liderança.

Conquistar-Pessoas

Um treino muito importante para desenvolver essa área é a capacidade de dar e principalmente receber feedback. O líder deve buscar desenvolver o treino de receber e alimentar continuamente as informações para as pessoas envolvidas em um determinado projeto. Ao adotar essa atitude de transparência nas comunicações obtém-se o ganho de ter maior segurança e confiança necessária para as pessoas aderirem não apenas ao projeto, mas também à causa que promove o empenho.

MCD – Análise de Contexto

Compreende-se como a área da resiliência que atua em crenças que determinam a capacidade de leitura do ambiente, capturando com clareza as pistas que demonstram o posicionamento e o comprometimento das pessoas em um determinado contexto, elevando a assertividade nos momentos de planejamentos.

Essa área se relaciona às crenças que analisam o contexto envolvido e que também se referem à capacidade de identificar e perceber precisamente as causas, as relações e as implicações dos desafios, dos problemas, dos conflitos e das adversidades presentes no ambiente. Esse domínio de crenças organiza o quantum de ousadia que lhe parece ser saudável nas decisões a serem tomadas, tendo em consideração a leitura feita sobre o estresse elevado.

A resiliência nessa área promove a flexibilidade para a adequada adaptação ao determinado contexto, para se informar a respeito das mudanças, para balancear o foco em soluções e gerenciar as informações obtidas no ambiente.

Analise-do-Contexto

Uma forma de treino para essa área pode ser o desenvolvimento da atenção de um líder para os sinais de posicionamento e comprometimento das pessoas em relação a um determinado projeto, conseguindo reconhecer os primeiros sinais de retrocesso, planejando e tomando as ações necessárias para um possível resgate. Isso significa desenvolver um líder atento, que cria meios para capturar informações do ambiente, que mantém seu mapeamento das ações das pessoas envolvidas e mantém o plano de gestão de mudanças sempre atualizado e vivo. Estamos falando de um entendimento contínuo do contexto, de uma atitude ativa de enxergar e corresponder.

MCD – Leitura Corporal

Quando buscamos desenvolver o autoconhecimento para encontrar mecanismos de desenvolver resiliência e ter equilíbrio em nossos comportamentos, e assim encontrar recursos para encarar as adversidades e o estresse de modo resiliente, é muito importante ter os cuidados necessários para analisar e entender as diferentes reações que acontecem em nosso organismo nas diversas situações do dia a dia, seja quando nos encontramos em momentos de alegrias e descontrações ou nos momentos de conflitos, angustia, ansiedade e estresse.

Ter conhecimento das reações que acontecem em nosso corpo, se refere ao entendimento das mudanças que ocorrem num contexto de situações adversas, de conflito, de elevado estresse, como por exemplo aceleração do coração, formigamento das mãos ou das pernas, dor no estômago, suador ou até mesmo aquela dor de cabeça inexplicável.

A ideia é de que crenças desequilibradas e pensamentos imaturos de uma pessoa modulam diretamente a sua resposta corporal, gerando uma reação que altera o equilíbrio dos nervos e músculos.

Para promover resiliência nessa área, um bom treino é sobretudo quanto a desenvolver a percepção sobre suas reações corporais costumeiras.

Leitura-Corporal

Outro treino importante está em aprender a levar em conta suas habilidades físicas, de seus colegas de equipe, identificando saídas e atividades estratégicas que permitem a readequação corporal de todos. Estamos falando de um entendimento sobre a consciência corporal, sua influência sobre as reações de comportamento, sobre o sistema nervoso e sobre questões de saúde física e mental.

Considerações finais

Esta é a primeira etapa do esclarecimento que pretendemos trazer para você aprofundar e incorporar o desenvolvimento de cada Modelo de Crença Determinante (MCD) relacionado com a resiliência.

Com essas informações você já tem a possibilidade de entender o papel de cada MCD nos comportamentos resilientes e refletir sobre como você tem se colocado em cada uma dessas áreas. E também se indagar, sobre quais são as atitudes que você pode mudar em cada área da resiliência para ter comportamentos mais maduros e flexíveis.

No próximo post sobre os Modelos de Crenças Determinantes, vamos abordar mais 4 áreas e esclarecer qual o papel de cada uma no desenvolvimento da resiliência e de que forma você pode aprimorar os seus comportamentos e atitudes.

Para os pesquisadores acadêmicos, esse é um referencial muito rico para ter como base inicial da construção do entendimento de comportamentos resilientes. Amplificar a visão do pesquisador sobre quais são os pontos que devem ser avaliados em projetos científicos que aborda o tema da resiliência e assim, investigar as principais características dessa habilidade fascinante.

SOBRARE

SOBRARE

Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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