Livro sobre Resiliência – Desenvolvendo e Ampliando o Tema


15/06/2016 | Publicado por SOBRARE | 2 Comentários


O estudo da resiliência no Brasil ainda é muito recente.

Em termos de teses, antes do professor George Barbosa, havia as teses da Cecconello e da professora Denise Sória.

De autores nacionais, apenas poucos artigos como o publicado por Renata Pesce e seus colegas validando a primeira escala de resiliência no Brasil. E também outros poucos livros como o de Debora Dell´Aglio, Silvia Koller, Maria Yunes, ou o de Haim Grünspun, foram publicados com o envolvimento do tema da resiliência.

E, com isso, muitos questionaram sobre os motivos da SOBRARE não publicar as pesquisas que estavam sendo produzidas já em 2007 ou 2008. Para todos explicamos que a razão da publicação já não ter sido realizada, era que havia a preocupação de que os procedimentos, técnicas e resultados estivessem consolidados em todas as pesquisas.

Essa conduta evitou que praticássemos uma divulgação afoita de conceitos e definições sobre a resiliência no Brasil. A equipe da SOBRARE visualizou que vários livros foram lançados entre 2006 e 2010, e grande parte deles vinham ampliando a conceituação e consolidando a definição da resiliência.

Esses autores expandiram a aplicabilidade em novos campos, como na educação, nos cuidados com família ou crianças e nas organizações, como é o caso de Eduardo Carmello. Embora de grande relevância, não se focavam nas descrições de pesquisas científicas.

Por outro lado, diversos outros livros, quando líamos o texto, víamos que possuíam conteúdo de autores que definitivamente não entendiam de resiliência. Em geral consultores da área de marketing e gestão de pessoas, que fizeram um apanhado do que se escreveu sobre resiliência nas últimas décadas e, sem o cuidado de atentarem para a evolução do conceito, independente de realizarem uma pesquisa ou revisão científica, publicaram os seus apanhados na forma de livros.

Com isso, foram os responsáveis por vários conceitos equivocados serem disseminados, em particular, aqui na Internet.

Alguns blogs e mídias sociais disseminaram conceitos como o de “resistência”. A ideia de que resiliência é a resistência à adversidade é da década dos anos 60 e 70. Nesses anos se conceituava resiliência como a capacidade de resistir firmemente ao trauma e sofrimento.

A literatura desde o início dos anos 2000 já reporta que quanto mais resistir de peito aberto, mais se torna vulnerável e corre sério risco de sucumbir.

Erros epistemológicos foram propagados devidos ao fato desses autores se referirem apenas às pesquisas efetuadas antes dos anos 2000, e assim, estruturadas em pressupostos já renunciados nas novas pesquisas.

Por exemplo, ter o bom humor como fator que origina resiliência. Viu-se que o bom humor não está associado à resiliência e sim aos traços da personalidade.

Livro sobre Resiliência

O que está vinculado à resiliência é o otimismo na forma de ver a vida e, essa característica propicia, por vezes, a experiência do bom humor.

Outro erro foi divulgar tenacidade como construto da resiliência. A dificuldade é que aquele que é tenaz não é flexível.

Essa ideia se espalhou muito ligada ao jargão “Sou brasileiro e nunca desisto”.

Esse tipo de argumentação tem produzido no tecido social brasileiro a cultura de ser tenaz até o fim.

Aguentar até o fim. Sofrer até morrer. Jamais desistir!

Daí, logo algumas empresas mobilizaram as suas áreas de RH para começarem a buscar por colaboradores que fossem “pau para toda obra”, “donos do negócio”, “hands on”, ou “líderes comprometidos, que entram às 08h00 e saem às 21h00 do trabalho”.

Pessoas assim são “pés de boi”, mas muito pouco vinculados à resiliência.

Esses autores também mantiveram a compreensão limitada do conceito da década de 60 para o público atual. Um exemplo disso foi perpetuarem a metáfora de que o resiliente é como o bambu.

Enverga até o máximo e volta à condição original.

Com o passar das décadas aprendemos que os humanos e animais quando se vergam ao máximo, retornam com o quadro de hipertensão, úlcera estomacal, alergias, alterações na rotina do sono, arritmia e outros efeitos deletérios de estresse, entre outras consequências.

Outro aspecto ruim dessa metáfora, é que o bambu não tem frutos devido à sua compleição.

Livro sobre Resiliência

Na resiliência aprendemos que o bom mesmo é sermos árvores e, de preferência, frondosas. No Canadá e África do Sul, há lindos trabalhos sobre resiliência ensinando as crianças a desenharem e se verem como bonitas árvores frutíferas. Quanto mais enraizada for a árvore, maior a sua condição de florescer e dar frutos.

O conceito de dobrar-se como o bambu é inadequado para a compreensão atual da resiliência, por ela ter como finalidade maior criar alternativas de escape ou de superação ao estresse e não mais de enfrentamento pelo simples envergar-se (submissão) à fonte ou consequência do estresse.

Aconteceu também que esse conceito veio ligado a outro erro epistemológico gravíssimo, que é afirmar que flexibilidade é fator gerador de resiliência.

Flexibilidade é o produto, o resultado que se obtém com treinamento ou a experiência da resiliência. Quando capacitamos alguém nas áreas vinculadas à resiliência, vamos obtendo como resultante uma maior flexibilidade na pessoa, e, por conseguinte, menor tenacidade face ao estresse.

Quanto maior plasticidade, obtemos maior repertório e enriquecimento das possibilidades de alternativas no enfrentamento. Nada de rigidez ou forte tenacidade.

Um livro sobre resiliência com um olhar contemporâneo

Livro sobre Resiliência

Outro exemplo que podemos aprender com a leitura desse material é que o conceito de autoeficácia foi divulgado em instrumentos de avaliação como um fator para gerar resiliência.

Esse conceito foi utilizado em 2006 na tese do professor George Barbosa. No entanto, logo constatou em suas pesquisas que a autoeficácia se adequa a situações de perícia como nas competições, jogos e tarefas técnicas. Mas não suscita resiliência.

A autoeficácia é causa e não origem.

A área na qual se deve trabalhar para resultar em autoeficácia é a autoconfiança. É bom ressaltar aqui que eficácia é algo diferente de eficiência. Embora, por vezes, as duas se interconectam. Porém, sempre dependendo da autoconfiança.

Veja o exemplo de um jogador. Seu técnico buscando treinar autoeficácia faz com que o atleta treine uma jogada específica diariamente por horas.

Livro sobre Resiliência

Após um mês de treino seu desempenho é de 95% de acerto e, portanto, adquiriu sua eficácia.

No próximo jogo esse mesmo jogador está diante de 10 mil pessoas e em um jogo em outro país e quando se aproxima da bola, pega-a como fez em seus treinos de eficácia. Prepara-a com o mesmo cuidado.

Então, o atleta olha para o lado e vê as setenta mil pessoas em silêncio, observando-o cuidadosamente.

O atleta escuta a respiração da plateia. Seu coração acelera. Suas pernas sentem uma agitação diferente.

Sua confiança se abala e a dúvida se instala.

A pergunta é se ele deve bater na bola como treinou exaustivamente ou se busca agir com sua habilidade de ser criativo. Após enormes pequenos segundos ele parte para a bola ainda indeciso e, vê-se o atleta, bater na bola cerca de vários metros distante longe da quadra.

O que houve com a autoeficácia obtida até instantes antes daquele lance?

A resposta que identificamos em nossas investigações é que ela – a autoeficácia, não estava alicerçada em uma consistente autoconfiança.

Assim, para se obter resiliência investimos na autoconfiança.

Porque devo ter esse livro?

Esse livro sobre resiliência foi estruturado quando entendemos que era necessário ter um material que abordasse a resiliência de forma mais contemporânea e com novos olhares para esse conceito tão presente em nossas vidas.

Esses fatos todos foram cruciais para realizar os desdobramentos em pesquisas que resultaram em 2009 na elaboração da teoria que chamamos de Abordagem Resiliente, e na publicação da escala de resiliência que é conhecida como “Quest_Resiliência”.

Dessa forma, estamos disponibilizando nesse livro, diversos textos que contemplam dois momentos de pesquisas. No primeiro, um registro histórico de pesquisas ainda com o enfoque teórico até 2006.

No segundo, os trabalhos que já apresentam uma visão contemporânea da resiliência e foram construídos com auxílio da SOBRARE, para elaboração da pesquisa de campo, construção das dissertações e publicação dos trabalhos científicos que foram elaborados com a Abordagem Resiliente.

Você pode ter acesso ao livro sobre resiliência na loja do site da SOBRARE.

Aproveite e boa leitura!

SOBRARE

SOBRARE

Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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2 Comentários

  1. Sergio Passarelli disse:

    São maravilhosas estas publicações, auxiliam muito na possibilidade de se passar a ideia que sem a Resiliência, demoraremos muito tempo para vivermos com qualidade e harmonia.

    1. SOBRARE SOBRARE disse:

      Olá Sergio,
      Muito bom receber seu comentário, esperamos poder continuar contribuindo para o crescimento da sociedade por meio esse tema.
      Equipe SOBRARE



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