A história da Resiliência, onde começaram os estudos?


19/05/2016 | Publicado por SOBRARE | 1 Comentário


Constantemente recebemos e-mails pela página de contatos da SOBRARE, com perguntas sobre resiliência e de como ela deve ser entendida ou como ela deve ser aplicada em determinados contextos.

Em geral, quando enviamos as respostas, buscamos ser específicos no tema da pergunta que é feita e respondemos cada e-mail separadamente. Mas, com esse volume grande de perguntas, surgiu a oportunidade de elaborar um material para que pudéssemos de uma forma ampla, trazer esses esclarecimentos para todos que possuem dúvidas similares sobre os desdobramentos da resiliência.

Nosso diretor científico e professor do curso de Coaching em Resiliência – George Barbosa, preparou uma aula em vídeo para falar sobre a História da Resiliência e como foi caminhando os estudos e desenvolvimentos dos comportamentos de flexibilidade e superação.

Vamos apresentar nesse post a transcrição da aula gravada, para as pessoas que preferem aprender por meio da leitura ou que não podem abrir o vídeo nesse momento.

Nosso desejo é levar para você novos conhecimentos sobre comportamentos resilientes. Aproveite!

Como aprendi com um amigo, resiliência é tão antigo quanto andar para frente. Todos nós nascemos como potencial de resiliência, o bebê já traz o potencial de resiliência e a enfermagem que está com ele lá no ambiente do hospital já percebe que ele tem demonstrações de que a resiliência está ali presente, e é por isso que hoje temos alguns mestrados estudando a resiliência neonatal.

Bem, se ela é tão antiga, por que tão tarde começou a acontecer e por que também tão recente no Brasil a ponto de ainda ser um tema tão desconhecido? Você fala sobre resiliência em diversos ambientes e as pessoas em geral ainda não conhecem.

Isso ocorre porque o conceito só foi realmente estruturado e definido de uma maneira científica por volta dos anos 50 e 60 do século passado, onde começou a se estruturar realmente o conceito. Antes se falava muito em termos de superação e dar a volta por cima, no linguajar brasileiro, e não se usava uma conotação mais metodológica. Era apenas uma expressão coloquial.

Por volta dos anos 50 e 60, começou-se uma pesquisa por algumas pesquisadoras dos Estados Unidos, Werner e Smith, onde começaram a estudar a população de uma ilha. Os estudos foram iniciados por meio do desenvolvimento de uma pergunta que havia sido suscitada que era:

O que acontece que algumas pessoas, em particular as crianças, se desenvolvem ao longo da vida e outras não se desenvolvem da mesma forma?

Essa pergunta começou a fazer parte da vida dessas duas pesquisadoras e foi por isso então que elas se dirigiram para uma região na América do Norte, e resolveram estudar uma população que estava localizada em uma determinada ilha.

Os estudos foram realizados de modo que a população pudesse ser acompanhada da mesma perspectiva ao decorrer de muitos anos e, portanto, foi uma proposta de desenvolver uma pesquisa do tipo longitudinal, onde é possível estudar um fenômeno ao longo do tempo.

O foco dos estudos foram direcionados para o seguinte aspecto: Uma determinada criança, que estava ali crescendo junto com seus colegas, como ela desenvolveria o seu percurso ao longo da vida? Então, começaram a mapear os habitantes daquela região e acompanharam todos eles durante o percurso ao longo dos anos que viriam pela frente, e com isso começou-se a ter uma primeira ideia e um primeiro registro estatístico, tabulado ou científico do que era o desenvolvimento de uma pessoa, do ponto de vista de superar uma adversidade.

Essa foi uma pesquisa que teve o seu desdobramento durante 20 anos e ao final elas puderam escrever vários artigos, nos dando conta de que algumas pessoas se desenvolveram muito, não só dentro da ilha, mas também as que se mudaram para outros continentes e lá continuaram crescendo. Enquanto outras pessoas permaneceram dentro da ilha na mesma forma como viviam desde pequenos e não houve muito desenvolvimento em termos de aquisições, formação e crescimento. A pessoa continuou ali no mesmo estágio.

Essa pesquisa elaborada pelas pesquisadoras, não questionou muito a qualidade de vida ou felicidade, naquela época não se questionava isso, só foi observado o progresso que a pessoa teve e o quanto isso poderia ser comparado uma com as outras.

Dito isso é possível concluir que o estudo da resiliência começou inicialmente por investigar os fatores de superação ao longo da vida e a partir desse momento começamos a ter um conceito que ficou muito comum na época que se dizia que tais pessoas eram os invencíveis, aqueles que não eram vencidos e não sucumbiam. Foi muito famoso esse conceito e esse olhar durante os anos 60 e chegou até próximo dos anos 70 quando entrou um novo olhar que começou a ter uma nova perspectiva do fenômeno e do conceito, então passou-se a estudar de uma outra forma e de um outro ângulo.

E se não for colocado que uma pessoa já nasceu resiliente, como foi a primeira fase? E se for estudado os fatores externos perante essa pessoa? Será que a resiliência não vem da escola ou será que a resiliência não vem da família?

Então, começou a se aproximar um novo período no conceito da resiliência e, a partir desse momento, nós vemos que iniciou os estudos sobre o impacto e a influência que os fatores externos têm na vida de um indivíduo. Foi um novo período, foi dada muita ênfase dizendo que a escola era fundamental no desenvolvimento de uma pessoa, ou então de que a família tinha um papel preponderante no desenvolvimento de uma pessoa, ou mesmo que participar ou frequentar uma igreja tinha um valor incomum na vida de alguém para que ela pudesse se desenvolver, crescer e ter progresso.

Essa foi uma segunda fase de estudos sobre comportamentos resilientes onde os fatores externos que envolviam a vida de uma pessoa eram considerados na análise de seus comportamentos.

A terceira fase que vamos mencionar, uma fase que praticamente está vindo até os dias de hoje, são as crenças pessoais e teve início dos estudos com uma nova pesquisadora.

Edith Grotberg, que começou a analisar qual era o impacto das crenças que uma pessoa possuía e como mudavam o enfrentamento de uma adversidade.

Grotberg começou a perceber que se ensinasse as crianças a pensar sobre estruturas mentais de superação, poderia também transformar o comportamento das crianças. E ela passou a ensinar as crianças a dizerem: Eu posso, Eu sou capaz e Eu tenho. Ao assimilar essas estruturas cognitivas a criança então iria mudando o seu comportamento e tendo a superação necessária no ambiente.

Exemplos: Eu posso fazer alguma coisa, Eu sou alguém importante, Eu consigo entregar uma tarefa.

Essas estruturas mentais poderiam elevar a autoestima, a autoconfiança de uma criança a fazer ela transformar o seu meio. Definitivamente fez uma mudança enorme em pensar e se trabalhar com resiliência, por isso que Edith Grotberg delimita muito uma etapa dos estudos sobre resiliência, não foi a única, mas queremos ressaltar seus estudos nessa aula.

Começou-se então a trabalhar o sistema de crenças de uma pessoa e passamos a entender que a conectividade tinha tudo a ver com resiliência. Um determinado pensamento, juntava-se com outro pensamento e mais um terceiro pensamento e resultavam em uma estrutura ou no que nós podemos chamar de uma convicção ou crença.

A partir do momento em que nós temos mais de um ou diversos pensamentos, nós vamos tendo então o que pode se chamar de sistema de crenças que vai sendo organizado, com base em determinado assunto e essas crenças vão ordenando a forma como uma pessoa faz sua leitura da vida.

Definitivamente essa possibilidade que se abriu com os estudos de Grotberg, fez com que mais tarde nos anos 90, viesse outros estudos como a Psicologia Positiva e trabalha-se com esses fundamentos de estruturas do pensamentos e crenças.

Podemos ver que, depois desse momento se passou a entender que resiliência é a soma das crenças a cerca de um determinado assunto que está relacionado com aquilo que é adverso e o indivíduo, por meio desses sistemas de crenças específicos, vai fazer o seu enfrentamento de uma forma tal que é possível ter superação e progresso.

Para finalizar essa aula, podemos dizer que resiliência em última análise é essa capacidade que nós temos de superar um obstáculo. E essa capacidade vem exatamente das estruturas cognitivas que são organizadas dentro de áreas específicas da resiliência e que estão relacionadas diretamente com a superação de um desafio ou adversidade.

SOBRARE

SOBRARE

Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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1 Comentário

  1. Elenir Fagundes Santos Freitas disse:

    Muito bom!!!!



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