Fundamentos e ferramentas da Abordagem Resiliente


04/05/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


O objetivo desse artigo é orientar aos pesquisadores sobre os fundamentos da Abordagem Resiliente e de como proceder no uso de suas ferramentas de mapeamento e análise da resiliência pessoal.

Você que deseja aprender mais sobre resiliência e conhecer a metodologia que a SOBRARE trabalha para esse desenvolvimento, continue lendo esse texto que vamos esclarecer, de maneira simples, os detalhes dessa abordagem.

O conceito de resiliência na Abordagem Resiliente, está estruturado a partir da Teoria Cognitiva Comportamental, da Teoria dos Sistemas e do olhar psicossomático. Essa abordagem considera que a Resiliência tem sua origem em sistemas específicos de crenças, e diante dos desafios/adversidades da vida, tais esquemas de crenças se apresentam como modelos de crenças.

A interação dessas crenças a respeito de um mesmo domínio possibilitou a estruturação dos modelos de crenças que interagem de forma determinante e oferecem sustentação cognitiva e emocional para a Resiliência. Como já salientamos, são oito modelos de crenças que se destacam na literatura especializada e, por isso, são identificados como determinantes.

São denominados Modelos de Crenças Determinantes (MCDs) e organizam a Resiliência no indivíduo. Os oito MCDs foram selecionados por serem concretos, de possível mensuração, ensinados e melhorados.

Assim, compreendemos que avaliar a resiliência baseada em modelos de crenças evidencia os pontos fortes e os pontos vulneráveis. A partir deste conhecimento, poderemos trabalhar com os indivíduos ou com o grupo, com o objetivo de melhorar a capacidade de Resiliência diante das adversidades da vida.

Escala de Resiliência [Quest_Resiliência]

O Quest_resiliência tem como propósito mapear as crenças que organizam o comportamento resiliente em uma pessoa. Esse mapeamento, é aplicado de forma individual, mas podemos analisar os resultados com o foco nos grupos ou equipes.

Quando trabalhamos de forma individual, o instrumento identifica os estilos comportamentais desenvolvidos pela pessoa e oferece ricas possibilidades de estruturação para treinamentos e capacitações no campo da resiliência.

Já para grupos e equipes a ferramenta possibilita amplo material de análise das interações, dos impactos e das correlações entre os diferentes estilos de comportamentos mapeados, favorecendo a intervenção para o fortalecimento dos fatores de flexibilização, proteção, coesão e determinação no grupo ou equipe.

O seu referencial teórico recorreu à teoria da Terapia Cognitiva e a abordagem psicossomática. Lida com os domínios das crenças do respondente, subdividindo-as em oito categorias denominadas de Modelos de Crenças Determinantes (MCDs), que expressam o quanto uma pessoa acredita e defende seus modelos de crença.

Preparamos um post aqui no blog que detalha os principais aspectos do instrumento e quais são as possibilidades de trabalhar com os resultados.

Detalhamento de cada Modelo de Crença da Abordagem Resiliente

Agora chegou a hora de detalhar cada modelo de crença que está relacionado com a Abordagem Resiliente, são 08 as áreas em que o instrumento mapeia as convicções que uma pessoa tem sobre as suas crenças.

1 – Convicções relacionadas à Análise do Contexto

Refere-se à capacidade de identificar e perceber precisamente as causas, as relações e as implicações dos problemas, dos conflitos e das adversidades presentes no ambiente.

Quando uma pessoa estimula e desenvolve a percepção de analisar os fatores de risco e de proteção em um determinado ambiente (geralmente quando esse ambiente gera muito estresse) essa pessoa encontra condições de se colocar em um lugar mais seguro e não se expor.

2 – Convicções relacionadas à Autoconfiança

É simples de entender que essas são crenças relacionadas com a convicção de ser confiante nas ações propostas. Refere-se à crença que uma pessoa tem de que possui recursos para resolver seus próprios problemas e conflitos por meio de habilidades, capacitações e talentos que encontra em si mesma e no ambiente.

Fique de olho em suas crenças relacionadas a sua confiança, para não ter comportamentos extremados por acreditar em sua alta competência pessoal, adotar uma conduta idealizada e altamente exigente nas tarefas e desempenho, inclusive, para as outras pessoas.

3 – Convicções relacionadas ao Autocontrole

Refere-se à capacidade de organizar de modo apropriado as emoções favorecendo a regulação do comportamento nos diferentes contextos de vida, particularmente o de se comportar com equilíbrio em situações de elevado estresse.

Tenha sempre cuidado com às consequências do estresse. Podemos ter a tendência comportamental de agir com maior rigidez e explosão. Diante do elevado estresse, há a propensão de atuar com agressividade e ansiedade.

Ou podemos também nos ver em uma situação sem forças para as iniciativas ou reações e, assim, apresentar um comportamento de ressentimento e sem reação face às demandas do ambiente.

4 – Convicções relacionadas ao Conquistar e Manter Pessoas

Essa é a capacidade que a pessoa tem de se vincular à outras, sem receios ou medo do fracasso, conectando-se para a formação de fortes redes de apoio e proteção.

Porém, é importante ter a clareza de não se colocar na defensiva em situações nas quais há envolvimento de várias pessoas, dificultando manter redes de proteção. Ou também de apresentar baixa capacidade em aglutinar pessoas ao redor de ideias e projetos, dificultando formar redes de proteção.

5 – Convicções relacionadas com a Empatia

Convicções que evidenciam a habilidade de ser empático, ter bom humor e de emitir mensagens que promovam interação e aproximação, conectividade e reciprocidade entre as pessoas.

Pessoas que não desenvolvem a sua empatia de modo equilibrado, podem ter a tendência de que a aceitação de si mesmo (a) e de outros ocorra somente quando as pessoas aprovam as atitudes ou realizam seu desejo. Portanto, trata-se de uma aceitação condicional, propiciando a vivência negativa da alta ansiedade nas interações.

Cuidados no comportamento de propensão para a condição de instabilidade favorecendo o isolamento emocional, particularmente, nas interações que exigem habilidades emocionais. A tendência é de ocorrer esquiva das interações com vínculos afetivos mais intensos.

6 – Convicções relacionadas com a Leitura Corporal

As convicções de uma pessoa modulam a resposta corporal, gerando uma reação que altera o equilíbrio dos nervos e músculos. Como o corpo e a mente estão integrados, as alterações são percebidas quando ocorre um desequilíbrio em algum órgão ou sistema.

Portanto, quanto mais harmonia houver entre o sistema de crenças, os objetivos e o meio ambiente, maior equilíbrio haverá entre as reações físicas e a expressão das emoções.

7 – Convicções relacionadas ao Otimismo para com a Vida

Certezas e convicções que evidenciam crenças de que as coisas podem mudar para melhor.

Refletem um investimento contínuo no entusiasmo e muita clareza na capacidade de controlar o destino dos eventos, mesmo quando o poder de decisão está fora de controle.

Mas não é saudável conservar comportamentos que tendem para o hiper-otimismo em relação à vida, esse podem denotar o perfil de uma pessoa que defendem suas ideias ou opiniões desmedidamente.

8 – Convicções relacionadas ao Sentido da Vida

Refere-se ao modo de acreditar em um sentido maior para a vida, nos recursos transcendentes que o ser humano tem face aos seus limites.

É importante destacar que podemos ter a tendência de comportamentos com extremo apego aos sonhos, crenças e ideais, e que possui dificuldades com mudanças devido ao excessivo apego em suas crenças pessoais.

Ou o comportamento de acatar as consequências do estresse, tendo a propensão para instabilidade quanto as crenças mapeadas favorecem instabilidade nos valores acerca da razão de viver e do sentido da vida.

 

Esses são os aspectos mais relevantes da Abordagem Resiliente para iniciar um programa de desenvolvimento ou capacitação com o objetivo de promover resultados de superações ou de comportamentos equilibrados e flexíveis diante de uma situação de adversidade ou forte desafio.

Veja aqui em nosso blog, como você pode ter acesso ao instrumento de mensuração da resiliência para desenvolver o seu projeto acadêmico sobre resiliência. Publicamos um post que fala exatamente como é feita essa solicitação.

Você também pode encontrar informações de como se tornar um profissional de Coaching que desenvolve resiliência em outras pessoas ou em um determinado grupo ou equipe, com domínio da Abordagem Resiliente e do instrumento Quest_Resiliência. Todas as informações estão no site do curso de Formação no Coaching em Resiliência.

Estamos aguardando o seu contato ou o seu comentário aqui no blog para debater sobre comportamentos resilientes e quais são as possibilidades de desenvolver essa habilidade.

SOBRARE

SOBRARE

Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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