A Evolução do Conceito da Resiliência


09/06/2017 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Normalmente, quando temos o primeiro contato com o termo da resiliência, aprendemos que essa é uma habilidade das pessoas que sofrem uma pressão e suporta tudo para encontrar recursos de modo que volte ao seu estado natural de origem.

Esse é um conceito que foi absorvido da engenharia ou da física e ainda é ressaltado dentro de algumas abordagens das ciências humanas. Porém, pode ser um entendimento muito perigoso, visto que as pessoas, enfrentam uma mesma situação de modo totalmente diferente e agem cada um de acordo com as suas crenças e suas histórias de vida.

Nesse começo do texto é importante falar que existe também, o entendimento sobre o olhar da etimologia (estudo da origem e evolução das palavras) para entender e compreender o conceito da palavra:

R E S I L I Ê N C I A

E foi possível verificar que – S I L I E – significa saltar ou impulsionar para algo. Que podemos correlacionar com um propósito ou meta.

Já sílaba – R E – tem o significado de novamente, mais uma vez.

Dentro desse olhar podemos verificar que a ideia de suportar uma pressão, veio do conceito adotado na física, mas quando olhamos a etimologia da palavra podemos ver um significado mais ativo. Ou seja, o resiliente é aquele que está constantemente se atualizando e sempre tentando buscar os seus propósitos.

Com esse embasamento, podemos notar o quanto o termo da resiliência foi evoluindo ao longo dos anos e com o avanço de estudos foi possível desenvolver e esquematizar programas ou projetos para o desenvolvimento da resiliência.

Neste post vamos apresentar para você a trajetória dessa evolução e quais foram as grandes características de cada momento. Então, aproveite para compartilhar essas informações com os seus amigos nas redes sociais.

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Primeira Geração – Os que SUPORTAM

Podemos observar nos registros de autores e ao longo da história, que houve esse período onde a resiliência foi estudada e reconhecida como as pessoas que suportavam os desafios da vida.

Por volta dos anos 50 e 60, começou-se uma pesquisa por duas pesquisadoras, Werner e Smith, onde começaram a estudar as populações em situações de vulnerabilidade. Os estudos foram iniciados por meio de perguntas como:

O que acontece que algumas pessoas, em particular as crianças, se desenvolveram ao longo da vida e outras não se desenvolvem da mesma forma. Mesmo dentro das situações de perigo ou de grandes adversidades?

Dito isso, é possível concluir que o estudo da resiliência começou inicialmente por investigar os fatores de superação ao longo da vida e a partir desse momento começamos a ter um conceito que ficou muito comum na época que se dizia que tais pessoas eram os invencíveis, aqueles que não eram vencidos e não sucumbiam.

flecha-Incriveis

A primeira geração de estudo sobre a resiliência usou muito essa conotação de suportar a pressão. É claro que essa visão ainda existe e tem sido muito importante para o desenvolvimento de comportamentos resilientes.

Segunda Geração – Os que se RECUPERAM

Depois, entramos na segunda geração com o olhar para as pessoas que desenvolvem o recurso de se recuperar de uma adversidade.

Dentro dessa visão dos estudos, podemos destacar a contribuição do Dr. Martin Seligman, um autor reconhecido na Psicologia Positiva e grande referência de estudos sobre resiliência na América do Norte, treinando e trabalhando com os soldados que retornavam da guerra no Iraque, e precisavam de apoio para se adaptar e recolocar-se na sociedade.

Em seus estudos, procurou focar na vivência de emoções positivas como uma forma de enfrentamento do estresse ou de uma adversidade, e também trouxe para o campo de pesquisa qual o papel que as virtudes humanas, como por exemplo a gratidão, perseverança, empatia e outras virtudes, podem atuar no encontro da flexibilidade e felicidade.

Um outro aspecto que podemos ressaltar sobre os estudos de Seligman, é de como os relacionamentos ricos e significativos, podem nos ajudar a superar a adversidade e promover maior resiliência.

Sempre foi latente em Seligman, o desejo de compreender como era possível interpretar o modo de ser feliz. Por tanto, esse é um pesquisador que proporciona um fator material para estudar resiliência na geração dos resilientes que se recuperam dos desafios e conflitos.

Terceira Geração – Os que TRANSFORMAM

Nessa geração foi possível observar uma presença forte dos profissionais de recursos humanos e treinamentos corporativos, onde as organizações começam efetivamente a se apropriar do tema da resiliência.

Trazendo assim, uma ideia mais ativa e estruturada de que desenvolver resiliência não é apenas suportar e se recuperar, mas principalmente a capacidade de transformar a realidade.

Camaleão

Podemos ressaltar neste artigo a influência inicial de Daryl R. Conner, quando em 1995 escreve o seu livro chamado “Gerenciando na Velocidade da Mudança” que foi um marco para implantação dos profissionais que trabalham com resiliência dentro das organizações.

Dentro da visão experiente de Conner, ele relata que começou a perceber que existiam algumas características e condutas que eram muito semelhantes em todos os gestores que ele acompanhou e que denotavam essa manifestação da resiliência. Ou seja, essa capacidade de perceber a situação adversa como uma oportunidade ou como um desafio a ser vencido, e ter o empoderamento das capacidades e competências necessárias para poder desenvolver essa mudança e gerenciar a situação ao seu favor.

“Lições de vitimização que a maioria das pessoas aprendem nas suas experiências com mudanças podem ser substituídas por um sentimento real de empoderamento, que se origina na aplicação de certas diretrizes que estimulam a resiliência.”
Daryl R. Conner

Posteriormente nesse conjunto de desenvolvimento, percebemos uma série de autores que exploram esse conceito de resiliência. Gery Hamel publicou pela universidade de Harvard, um artigo chamado “Em busca da Resiliência”, onde ele explora o termo chamado Resiliência Estratégica.

Ou seja, ele é um autor que traz essa ideia da resiliência que transforma uma realidade, por meio, de atitudes que antecipam e projetam formas de se reinventar.

No desenvolvimento da Abordagem Resiliente (Metodologia criada pela SOBRARE) também encontramos uma evolução do tema, um olhar para essa nova geração da resiliência. Onde, é necessário suportar e se recuperar de uma adversidade ou forte desafio, mas sabendo que cada pessoa tem características e crenças diferentes sobre uma mesma situação adversa.

O trabalho principal está no indivíduo como protagonista da situação adversa, colocando o foco em suas habilidades e crenças, e não mais nos objetivos e metas que precisam ser alcançados ou no problema em si.

A capacidade de estar resiliente pode ser aprendida em qualquer momento da nossa vida, inclusive em meio a crises. A resiliência se desenvolve por meio de um processo de aprendizagem e a sua essência está no autoconhecimento.

Quando passamos a nos conhecer profundamente, conseguimos reconhecer as nossas crenças limitantes e aquelas que nos ajuda a nos tornamos flexíveis.

E em momentos de adversidade é preciso desenvolver crenças flexíveis e fortalecer o potencial de cada um.
Veja aqui neste banner abaixo, o mini-curso que preparamos para lhe ajudar no desenvolvimento dos seus comportamentos resilientes.

Durante esse amadurecimento dos estudos e desenvolvimentos, podemos concluir que resiliência é a capacidade de transformar as suas crenças para persistir e alcançar os seus compromissos. Esse post foi baseado em uma palestra que o Eduardo Carmello fez para a Semana de Resiliência promovida pela SOBRARE.

E você, de que modo você enxerga esse processo da resiliência? Comente logo abaixo como são os seus momentos de resiliência.

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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