ÉTICA, logo no começo da conversa


18/03/2016 | Publicado por George Barbosa | Sem Comentários


Mas que surpresa! São vocês mesmos?

Essa foi a expressão com que Ana reagiu ao telefone logo após ouvir que éramos nós da SOBRARE ligando para ela.

Alguns dias atrás ela havia questionado por email a equipe sobre detalhes da formação do Coaching em Resiliência, – foi aí que me vieram com a tarefa de eu ligar para ela.

Ao perguntar sobre o que queria saber, Ana afirmou que desejava ter mais detalhes. Estava com grande experiência em sua carreira de gestora e a menos de seis anos para sua aposentadoria. Queria já ir sondando uma nova atividade que lhe garantisse os ganhos e o orgulho que teve até aqui.

Eu a agradeci pelo telefonema, e, de imediato, comecei a explicar-lhe que o Coaching em Resiliência tem uma pedra angular – a ética para o processo e para com o cliente.

Sim, a ética deveria ser o meu assunto, logo de imediato!

7844

A clareza ética, manifesta nos principais programas de coaching na Europa e América do Norte, também deveria ser meu assunto com ela.

Expliquei que a resiliência sem o marco da ética é apenas esperteza. Mais um sujeito espertinho que sabe o caminho das pedras. Pode-se dizer que seria similar ao jeitinho.

Ocorre que as construções de barro e areia logo se vão. Vem a chuva mais forte e elas se desmoronam.

A ética é a rocha que sustenta o tom para a consistência da resiliência ao longo do tempo.

O profissional do Coaching em Resiliência (CR) sabe que os hábitos de ter vantagens em tudo, ser mais esperto, não ter a verdade como um pressuposto e prometer o que não pode entregar são ações que estarão depondo contra a prática do melhor coaching e também contrapõe à resiliência.

De forma prática o que isso significa, expliquei-lhe. É não apresentar ou oferecer ao (à) cliente uma técnica, uma leitura, um joguinho só porque eu sei que já me foi útil em vezes anteriores. Qualquer proposta ao cliente é eticamente alinhada com ele (a) antes de iniciar as sessões do processo. No coaching de qualidade não pode haver frases como: Olha, eu gosto muito dessa dinâmica, vou fazer ela agora com você.

Toda e qualquer proposta deve estar harmoniosamente prevista com o (a) cliente já no acordo do processo. O dia em que o novo vier acontecer, haverá todos os pedidos de permissão necessários e serão vistos como uma exceção no processo.

Outro aspecto, comentei com ela, é como falar ou apresentar a própria formação.

Sabemos que o Estilo Comportamental cultivado por um Coach, podem estar revelando que esse profissional pode tender a encolher mais as informações ou de exagerá-las. E com isso, não dizer equilibradamente qual é, realmente, a sua formação. Por exemplo, acrescentei, se sua formação foi de 40 horas, não pode se apresentar como profissional. Mas sim que fez um curso de práticas de coaching e está no caminho de se tornar um profissional. Apresentar exatamente qual é sua formação e a exata imagem social é um dos destaques da ética profissional.

É verdade, Ana ponderou. Mas as pessoas nem sempre estão atentas a isso e esse tipo de preocupação passa batido, sabe.

Em geral é verdade, ponderei. Ocorre que coaching é uma daquelas formas antigas de se comprar serviços. Me refiro ao “fio do bigode”, “à palavra dita”. Se digo que sou, pronto! Sou capaz de comprovar exatamente o que falei ser. Por vezes, o profissional tende a ocultar dados em sua identidade social devido ter o pensamento – áh, isso não tem relevância. Ou, é propenso à impulsividade e se apresenta como já experiente e capaz de tudo. Te emagreço, te emprego, te transformo, faço e aconteço! Sabemos que para ser tido como experiente no primeiro estágio, necessita evidenciar sessenta horas de atuação comprovadas e estas não podem ser gratuitas.

Então, fiz a ela a seguinte consideração: Ana, o Coaching em Resiliência atua para que os formando trabalhem na apresentação fidedigna de qual é a sua exata identidade. Isso para que recebam indicações e mais indicações aos seus serviços.

Afinal, todo Coach sabe que vive mesmo é de indicações.

4578

Isso leva-nos a outro tópico que mencionei no telefonema. Que a sobrevivência é a coluna central da resiliência. E quanto se deve estar focado em nossa própria sobrevivência? Questionou-me?

Expliquei que aprendemos com a experiência desses anos que o (a) Coach necessita estar focado no progresso de seu cliente. No desenvolvimento e alavancagem da demanda do (a) cliente. E, essa clareza de ter os olhos, os ouvidos e a atenção no cliente, é que faz com que ele ou ela perceba que é o centro do processo e, como consequência, passa a me retribuir um valor agregado preciosíssimo. Que é o reconhecimento.

O reconhecimento à minha conduta e atitude irá resultar em indicações, e, lógico, nós Coaches, lemos como estabilidade para a nossa sobrevivência. É aquele antigo ditado – é dando que se recebe (embora não se aplique a todas as situações da vida!!!).

Bem, risos para lá e para cá, começamos a falar das razões de ter aquela duração e dos motivos dos módulos seguirem a sequência atual.

Mas esses detalhes mais burocráticos eu posso deixar fora desse post e ficar por aqui. A ideia era explicitar a parte da conversa onde falamos que a ética deve ser um pilar para o profissional que deseja iniciar a carreira de coaching e uma coluna central para o desenvolvimento do próprio processo do coaching.

Imagens: Freepik/Picjumbo

George Barbosa

George Barbosa

Graduação em Pedagogia, em Psicologia, Mestrado, Doutorado com ênfase em Psicossomática na PUC de São Paulo. Diretor Científico e Membro pesquisador da Sociedade Brasileira de Resiliência (SOBRARE) e professor da Fundação Vanzolini (USP) e facilitador do Núcleo de Estudos em resiliência da Assoc. Bras. de Recursos Humanos (ABRH-SP). Coach certificado nas modalidades de Coaching Cognitivo de vida, Neurocoaching, Coaching Ontológico e organizador do Coaching em Resiliência (CCR). Associado PCC, MENTOR COAH e Conselheiro na Diretoria da International Coach Federation (ICF) – Capítulo Brasil, Acreditado na International Society for Coaching Psychology – MISCP e ao National Wellness Institute (NWI) e Pós-doutorando em Coaching Psychology e Resiliência (UNIRIO).

Mais posts - Website



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *