Contribuições de Edith Grotberg para o desenvolvimento de pesquisas sobre Resiliência


12/05/2016 | Publicado por SOBRARE | 1 Comentário


A americana Dra. Edith Grotberg trabalhou para as Nações Unidas durante muito tempo, mantendo durante toda a sua jornada uma constância de trabalhar no desenvolvimento da resiliência em crianças e adolescentes. Todo o foco do seu trabalho foi nesse sentido, e destacou um novo olhar para os comportamentos resilientes a partir dos projetos que ela desenvolveu.

Ficou evidente que a Dra. Grotberg, fez uma escolha sobre como deveria ser os seus estudos sobre resiliência, dando prioridade para um referencial teórico a partir de uma perspectiva cognitiva.

Nesse post, teremos como objetivo apresentar para você de que forma as pesquisas realizadas por Edith Grotberg contribuíram para um novo olhar da resiliência e de que modo você pode considerá-la como uma referência para seus estudos sobre o tema, ou até mesmo para um trabalho mais profundo de cunho científico.

A Dra. Edith Grotberg estudou a forma de como podemos entender a ruptura da cognição de um modo, um padrão ou estilo de pensar que modela o comportamento e também condiciona a pessoa para que, a partir dessa ruptura, possa haver uma reintegração de novas crenças, novas cognições e com isso haver novos comportamentos.

Através de seus estudos e pesquisas, ela comprovou que se nós trabalhássemos a ruptura de uma crença e ajudássemos o indivíduo a adquirir um novo sistema de crenças, ele poderia entrar em uma nova condição com maior resiliência.

Dra. Edith Grotberg: Eu posso, eu sou, eu tenho

A Dra. Edith Grotberg ganhou forte referência em seu conhecido desenvolvimento do: “eu posso, eu sou, eu tenho” e quando paramos para verificar suas outras contribuições, percebemos a grandeza de seu conhecimento como valioso construto para a compreensão dos conceitos da resiliência.

Edith fala de cinco blocos de construção fundamentais ou pilares de resiliência.

 

Confiança, autonomia, iniciativa, aplicação e identidade

O último é de grande importância porque, de acordo com estudos da autora, “todos e cada um dos fatores resilientes podem ser desenvolvidos no momento que a pessoa atinge esse estágio, e depois ganha autonomia para continuar reforçando e fortalecendo os seus comportamentos resilientes.”

Também, se nota que é importante reconhecer que alguns destes fatores são mais importantes num período de crescimento e desenvolvimento do que outro.

Uma criança pequena não precisa se concentrar em características como aplicação ou identidade, enquanto uma criança em idade mais jovem precisa, sem dúvida, buscar fatores resilientes já desenvolvidos.

Na realidade, um grande número de jovens e adultos não foram capazes de desenvolver ainda o primeiro elemento resiliente da primeira fase de desenvolvimento: CONFIANÇA.

Portanto, o ponto de partida para promover a resiliência deve ser, em seguida, esse fator em que crianças, jovens ou adultos estão de acordo com seu estágio de desenvolvimento. Isso será importante para determinar, no caso de jovens e adultos, fatores resilientes que já estão desenvolvidos.

Por exemplo, o jovem pode ser capaz de resolver problemas escolares ou relacionados aos estudos, mas encontra dificuldades para tratar de problemas interpessoais; o primeiro requer pouca confiança nos outros, enquanto o segundo requer ter muita confiança nos outros.

O adulto vai tratar os outros com amor, respeito e empatia, mas não assume a sua responsabilidade no cumprimento de prazos no trabalho ou quando ele deve adquirir novas habilidades em sua atividade.

 

Primeiro Bloco: CONFIANÇA

As crianças e os jovens têm algumas dificuldades para construir sua resiliência, a menos que possam contar com ajuda de um adulto como referência. Apesar de que, crianças não aceitam ajuda de qualquer adulto, somente aqueles que confiam, respeitam ou amam ou aqueles que se sentem ligados de alguma forma.

Confiança

Desde o início, a confiança é a chave para promover resiliência e se torna essencial desenvolver esse fator resiliente como base. Quando uma criança ou jovens se sentem dentro de uma relação de confiança e carinho, estão dispostos a aceitar limites para os seus modelos de comportamentos e papel do (EU TENHO). Está pronto para ser mais agradável, atencioso, otimista e esperançoso (EU SOU), podendo se desenvolver mais facilmente nas relações interpessoais, nas resoluções de conflitos em diferentes áreas.

E desenvolver a confiança de que pode pedir alguma ajuda (EU POSSO). As pessoas não só precisam aprender a confiar nos outros, mas também em si mesmas.

Para aqueles que têm o desejo de promover resiliência em crianças e jovens, um ponto importante para começar é construir um relacionamento com eles com base na confiança. “Você é uma pessoa que pode ser confiável? Você tem honestidade?”.

Você poderá ajudar crianças e jovens que passam por algum tipo de rejeição, que foram exploradas ou abusadas e perderam a confiança em si e nos outros. Superar o fato da desconfiança em pessoas disposta a ajudar.

Segundo Bloco: AUTONOMIA

A autonomia é definida como independência e liberdade, a capacidade de tomar nossas próprias decisões. Essa habilidade já começa a se desenvolver por volta dos dois anos de idade, momento em que a criança percebe que é alguém e separa aquelas pessoas que estão ao seu redor e demonstram reações ao que elas fazem e dizem.

Através deste sentimento de separação, a criança começa a entender que existem consequências para cada comportamento, e aprendem sobre o que é certo e o que é errado, experimentando a sensação de culpa quando alguém vem a se machucar.

Dra. Edith Grotberg

A autonomia é essencial para promover fatores resilientes e reforçar os que já foram despertados. Quando crianças e jovens se tornam autônomos, a vontade e o desejo de aceitar limites sobre os seus comportamentos são reforçados (EU TENHO). Desse modo, é desenvolvido o respeito por si mesmos e por outras pessoas, empatia, solidariedade e o fato de ser responsável por suas próprias ações e atitudes (EU SOU).

Essa criança também desenvolve o gerenciamento de seus sentimentos e emoções (EU POSSO). A confiança e autonomia, como fatores resilientes, podem ser promovidos em conjunto, para fazer assim o processo de promoção da resiliência de modo conectado.

Um ponto de partida, para começar a promover a resiliência neste tipo de cenário, é demonstrar que está tudo bem ao cometer erros e que eles podem aprender a partir dos erros. Podemos encontrar diferentes histórias onde temos falhas.

Muitas pessoas podem contar experiências sobre suas falhas antes de se tornarem pessoas vencedoras. Podemos assegurar que os erros não são algo que se deve ter vergonha e sim incentivar a assumir o risco de cometer erros. Se houver falhas ou se não for bem-sucedido, haverá uma nova oportunidade de recomeçar.

 

Terceiro Bloco: INICIATIVA

A iniciativa é a capacidade e vontade de fazer as coisas e se desenvolve entre os quatro e cinco anos de idade, quando a criança começa a pensar e fazer as coisas.

Nós provavelmente começamos algum tipo de projeto ou atividade que não acreditávamos e que era possível ser feito. Mas, o ponto considerável não é se fomos bem-sucedidos ou não, a vontade de experimentar é realmente importante para gerar iniciativa. Ideias criativas em arte e ciência, invenções e resolução de problemas em todas as áreas da vida exigem iniciativa.

Dra. Edith Grotberg

Precisamos promover fatores de resiliência que se relacionam com isso. Quando geramos habilidades e comportamentos de iniciativa, as nossas relações de confiança no outro reforça o reconhecimento de nossos comportamentos de autonomia como (EU TENHO), somado a iniciativa reforçamos a sensação de se sentir bem-disposto, e demonstrar empatia e solidariedade, ser otimista, seguros de nós mesmos (EU SOU).

Promover também as novas ideias ou formas de incentivar alguma coisa, expressar nossos pensamentos, resolução de problemas, equilíbrio dos sentimentos e comportamentos e quando necessário, pedindo ajuda de outras pessoas (EU POSSO).

Muitas crianças e adultos não desenvolvem a iniciativa, muitas vezes, por serem repreendidos em toda a confusão que geram com seus projetos inacabados.

Para desenvolver comportamentos de iniciativa, podemos incentivar as crianças e jovens a decidir o que é que eles querem fazer. Podemos falar sobre como organizar o pequeno plano com os seus amigos, ajudá-los a reconhecer diferentes possibilidades para implementar esses planos, considerar as consequências que possam surgir e mudar o que for necessário. Nós estaremos lá para ajudá-los a superar os obstáculos e aprender a partir de seus sucessos e seus erros.

 

Quarto Bloco: APLICAÇÃO

Estruturar a aplicação como a realização de uma tarefa importante. Essa habilidade geralmente se desenvolve durante os anos de faculdade, enquanto aparecem as habilidades acadêmicas e sociais.

Ser bem-sucedido é muito importante para o desempenho de aprendizados e para desenvolver as relações interpessoais e a imagem que tem de si mesmo. Alguns buscam ser reconhecidos por seus professores como competentes, ou para ser aceito no seu ambiente social como uma pessoa amigável e por vezes para se sentir orgulhoso de si.

Aplicação

A aplicação é um pilar poderoso e é reforçado pela sua conexão com outros fatores resilientes (EU TENHO). São bons modelos de encorajamento para ser independente.

Categoria (EU SOU), atingir metas e planos para o futuro é muito importante, bem como ser responsável​​ por nossas ações. Na categoria (EU POSSO), é relevante manter uma tarefa até a sua conclusão, resolver problemas e pedir ajuda quando necessário, para construir e promover comportamentos resilientes. No entanto, é importante aprender a desenvolver não apenas os comportamentos resilientes ou protetores para ser usado em dada circunstância, mas também entender como eles devem ser aplicados​​.

Por exemplo, em situações escolares serão usados comportamentos resilientes diferentes dos que sãos usados em nossa casa. Talvez seja mais apropriado dizer que usamos os mesmos fatores, mas de maneiras diferentes.

Um ponto de partida para começar a promover a aplicação como fator de resiliência, é desenvolver a capacidade de gestão para resolver situações problemáticas.

Orientar jovens ou adultos para buscarem desenvolver a cooperação de olhar ao redor e decidir quem pode trabalhar em conjunto e sentir-se confortável. Ao implementar a cooperação, também podem resolver os conflitos gerados para tomar novas decisões.

Podemos notar que a capacidade de resolver problemas significa ter vontade de tomar a iniciativa e ser capaz de enfrentar as consequências.

 

Quinto Bloco: IDENTIDADE

É muito comum, desenvolver nossa identidade e personalidade durante a adolescência.

As questões mais indagadoras durante esta fase são:

Quem sou eu?
Como estou em comparação com outros da minha idade?
Como é o meu relacionamento com os meus pais (ou outras figuras de autoridade)?
O que eu tenho feito?
Qual é o meu caminho?

Quando obtemos respostas para estas perguntas, estamos desenvolvendo a nossa capacidade de controlar nosso comportamento, e por vezes, comparamos com os comportamentos aceitos pela sociedade.

É um período onde estimula-se a imaginação e iniciativa, para projetar os nossos sonhos e reconhecer a importância de pensar e planejar o futuro.

Dra. Edith Grotberg

Muitos adolescentes e jovens que não conseguem obter respostas satisfatórias para estas perguntas, começam a duvidar de si mesmo e se sentir inseguro sobre o que eles realmente são, gerando conflitos sobre as atitudes que devem tomar e qual o seu papel na vida.

Promover comportamentos de forte identidade, pode ser de grande ajuda para o desenvolvimento de habilidades interpessoais que ajudam na resolução de conflitos. Aprender sobre habilidades sociais incluem desafios construtivos, como fazer amigos, aprender a ouvir, saber como se expressar e ter empatia.

Talvez, seja preciso começar o desenvolvimento trabalhando com as emoções. Poucos adolescentes (e adultos) conseguem descrever com clareza seus sentimentos e dizer a alguém exatamente como eles se sentem.

Muitos jovens precisam de ajuda para chegar a um acordo sobre sua tendência a se envolver em atividades que os estimulem. Podemos oferecer suporte para esses adolescentes aconselhando sobre manter os seus laços familiares ou relacionamentos saudáveis.

O pilar da construção da identidade completa os cinco pilares da resiliência propostos por Edith Grotberg. Esses são fatores importantes da resiliência e cada etapa é aplicada em situações que enfrentamos grandes adversidades no início da vida.

Existe uma literatura muito grande sobre Edith Grotberg, e inúmeros artigos desenvolvidos sobre a sua contribuição para o desenvolvimento da resiliência que pode ser uma opção muito enriquecedora para complementar o desenvolvimento de estudos sobre comportamentos resilientes e práticas para desenvolver resiliência em crianças e adolescentes.

Compartilhe o seu comentário logo abaixo, sobre a sua percepção das contribuições que a da Dra. Edith Grotberg proporcionou para o desenvolvimento da resiliência.

Fonte: http://resilienciainfantil.blogspot.com.br/2013/07/re-descubriendo-edith-grotberg-los.html

SOBRARE

SOBRARE

Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

Mais posts



1 Comentário

  1. elenir fagundes disse:

    Trabalho na área da Educação e tenho certeza que este texto contribuirá para qualificar o meu trabalho.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *