Como é o Desenvolvimento da Resiliência no Cérebro?

Você já se perguntou como o cérebro processa a nossa resiliência? Por qual motivo tantas vezes é difícil alterarmos as nossas crenças? Afinal, como é o desenvolvimento da resiliência no nosso cérebro?

Nesse post vamos falar um pouco sobre a teoria do Henry Murray que explica sobre as necessidades, motivações e comportamentos de decisões.

Para entendermos essas questões e o funcionamento do desenvolvimento da resiliência no cérebro, primeiro é necessário entendermos um pouco da teoria.

Henry Murray, no século XX, desenvolveu uma teoria que buscava trabalhar as necessidades do ser humano. Essa teoria está baseada em cinco princípios, porém vamos destacar apenas os quatro que nos interessam. O primeiro princípio estabelece que a personalidade está enraizada no cérebro e seus aspectos são controlados pela fisiologia cerebral do indivíduo.

O segunda princípio é que a personalidade do indivíduo continua se desenvolvendo ao longo da vida e é composta de todos os eventos que acontecem. O terceiro princípio esclarece que a personalidade se desenvolve e evolui, não é fixa e nem estática. O quarto princípio se desdobra a respeito da singularidade de cada pessoa e, simultaneamente, o reconhecimento da singularidade de todas.

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O ser humano se constitui a partir de necessidades, assim como a mente. Essa foi uma das mais importantes contribuições de Murray. Essas necessidades podem ser fisiológicas, de aceitação, de grupo, entre outras.

Se nós estudarmos a teoria de Murray, iremos perceber que as necessidades vão acompanhando o ser humano ao longo das idades. Então, o primeiro ponto a considerar é:

O cérebro trabalha a partir de necessidades!

Além das necessidades, o cérebro trabalha também com objetivos. Quando nós conciliamos as necessidades que o cérebro tem para se estruturar e se organizar enquanto mente, com um objetivo ou finalidade, nós temos uma intencionalidade dentro da própria necessidade. Então, existe uma intenção ou motivação por conta de necessidade.

As necessidades elevam o nível de tensão e o organismo procura reduzi-las, tentando satisfazê-las. Elas ativam o comportamento na direção certa para serem satisfeitas. São classificadas em primárias aquelas que surgem dos processos físicos internos e incluem as necessidades de sobrevivência como ar, água, alimento e as de sexo e sensualidade. As necessidades secundárias provêm indiretamente das primárias e estão relacionadas à satisfação emocional e psicológica.

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Quando nós colocamos a resiliência dentro dessa teoria da origem da mente, encontramos necessidades e finalidades. Esse processo acontece nas estruturas do nosso cérebro. Por exemplo, na estrutura motora, o cerebelo recebe as informações que vem dos estímulos e dos órgãos dos sentidos, em seguida ele codifica e passa as informações para outras estruturas como a amídala, que traduz tais informações repassadas e produz a partir daí hormônios específicos. Os hormônios enviarão mensagens para outras estruturas importantes como tireóide, supra renais e sexuais. Esse movimento cria um eixo onde começa a produzir as crenças básicas no ambiente de cérebro.

Quando visualizamos o exemplo acima de uma forma mais ampla, percebemos que as estruturas trabalham envolvendo todo o cérebro, o que leva a um comportamento de decisão. Ao termos uma pessoa diante do estresse, vemos que ela recebe informações que vão ser codificadas e que irão suprir a área do neocórtex, onde finalmente será formada uma decisão (com base em suas crenças básicas) e que irá expressar, por meio de um comportamento, a sua resiliência em determinada área.

Estar resiliente é algo que qualquer pessoa pode conseguir ou há restrições?

De um modo geral, podemos dizer que a resiliência está a disposição para qualquer pessoa. Até mesmo antes do nascimento podemos ver bebês já expressando a urgência da sobrevivência. Desse ponto de vista, podemos dizer que a resiliência tem um substrato genético que acompanha o ser humano.

No entanto, ela pode ser bem desenvolvida em algumas pessoas e não tanto desenvolvidas em outras porque depende do repertório e da capacidade de maturar as crenças dessa pessoa. Se por causa de uma lesão cerebral, a pessoa não tem competência de maturar as crenças e dar um significado para uma situação, além de ver um objetivo maior do que o básico de sobreviver fisicamente, ela vai estar com uma resiliência mais estrita.

Aqueles que afirmam que determinada pessoa NÃO tem resiliência, definitivamente não entendem sobre o conceito de resiliência. Todos nós temos resiliência, o que pode acontecer é estar pouco desenvolvida.

Quando nós temos a resiliência bem desenvolvida, conseguimos planejar estratégias com base nas crenças básicas para se colocar de uma maneira que favoreça o equilíbrio emocional na vida.

E você, tem alguma ideia para compartilhar conosco sobre as perguntas que foram respondidas durante o bate papo que rolou no vídeo? Deixe o seu comentário e até um próxima.

Link de referência: Personalidade e Resiliência como Proteção contra o Burnout em Médicos Residentes
Imagens: Projetado pelo Freepik

2019-11-08T14:27:10+00:00

One Comment

  1. MARCELA CALINO 11 de julho de 2016 at 01:55 - Reply

    Excelente video 🙂

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