De que lado você está? Polaridade ou dualidade?


02/05/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Estamos vivendo uma realidade onde as coisas estão preto e branco, certo ou errado, nós e eles. Basta uma navegada pelas redes sociais e você se depara com uma intolerância grande. Ou você é A ou você é B.

O meio termo deixou de fazer parte do nosso cotidiano. Na verdade, melhor dizendo, o equilíbrio deixou de fazer parte do nosso dia-a-dia. Um exemplo? Hoje, em algum momento, entre em uma conversa sobre política com seus colegas de trabalho… Pronto!

Não existe meio, não existe cinza, apenas polaridade. Polaridade significa duas ideias ou opiniões estarem completamente opostas entre si; De que lado você está?

Aí que está o problema. Pois, quando a experiência humana nos coloca diante de uma situação onde temos que aceitar ambos os lados, ficamos perdidos. É como se perdêssemos a nossa realidade, a nossa essência.

Existe algo que se chama dualidade. Dualidade é o estado de se ter duas partes não em oposição absolutas, mas em existência simultânea. Não acha possível? Há católicos que são pró-aborto, e feministas que usam véu, e veteranos que são contrário a guerra.

Dualidade é a habilidade de aliar ambas as coisas. É saber lidar com os dois lados. Saber equilibrar as nossas crenças e convicções com as nossas experiências.

Desde de pequenos aprendemos a enfrentar as coisas com polaridade. Na modelo atual que temos de escola, ao fazermos uma correção da lição de casa temos dois lados oposto, ou está certo ou está errado.

Porém existem professores que entendem a dualidade e aceitam aquele meio-certo. Não é porque chegamos a um resultado final diferente, mesmo tendo acertado toda a construção da equação, que estamos 100% errados.

Quando recebemos o meio-certo, criamos uma mentalidade do crescimento. Sabemos que acertamos todo o processo de equação, porém ainda não conseguimos encontrar o resultado final. É preciso revisar o exercício mais algumas vezes. Entendem a diferença? É preciso evoluir um pouco mais, não somos incapazes.

Carol Dweck, PhD e professora de psicologia no EUA, fez uma experiência com crianças que tinham que lidar com desafios e dificuldades. A pesquisadora ofereceu as crianças alguns exercícios que eram um pouco avançados para a idade (as crianças tinham em torno de 10 anos). Algumas reagiram com entusiasmos e de uma forma muito positiva. Se sentiram desafiadas. Outras crianças sentiram que ao fazer o exercício, elas seriam postas em julgamento e havia grande chance de fracassarem.

Após essa experiência, em um estudo, as crianças que viram o desafio como um teste de julgamento disseram que provavelmente iriam trapacear em uma próxima oportunidade, em vez de estudar mais. Em outro estudo, após um fracasso, elas procuravam alguém que tivesse ido pior que elas para que pudessem se sentir realmente bem sobre si mesmas. E em um terceiro estudo, elas fugiram das dificuldades.

Aquelas crianças que haviam visto a experiência como um desafio, foram consideradas como tendo a mentalidade do crescimento. Eles tinham a noção de que habilidades podem ser desenvolvidas. Eles se envolveram profundamente com o que foi pedido. Percebeu-se que o cérebro vibra com o ainda. Elas processam o erro. Aprendem com ele e corrigem-no.

Essa mentalidade nos ajuda a desenvolver resiliência. Em qualquer contexto que seja. Seus esforços, suas estratégias, o foco, a perseverança, o aperfeiçoamento. Esse processo gera pessoas destemidas e resilientes.

Diante de um desafio ou dificuldade começamos a avaliar os diversos meios, conseguimos quebrar crenças absolutas que podemos ter com relação a tal situação. Permitimos ter a dualidade dentro do processo. Isso nos traz coragem e começamos a desenvolver estratégias para a superação, nos envolvemos profundamente com o que está acontecendo e adquirimos esperança.

Nós descobrimos que as simples palavras “ainda” ou “ainda não”, dão a nós grande confiança, dão um caminho no futuro que cria grande persistência.

Pensem como seria se em uma discussão ou em uma conversa, ao invés de assumirem a polaridade com suas verdades absolutas, todos entendêssemos que, de algum modo, existe uma dualidade.

Quando saímos de nossa zona de conforto, quando desafiamos as crenças que nos limitam de realizar algo, nosso cérebro consegue formar novas linhas de pensamento e criam fortes conexões, e com o tempo começamos a deslumbrar uma nova forma de enfrentar os obstáculos da vida.

O melhor disso, é que temos a possibilidade de cultivarmos a mentalidade do crescimento com aqueles que convivemos. Sejam nossos familiares, companheiros (as), colegas de trabalho, filhos, enfim.

Resiliência não se adequada a rigidez ou ao extremo. Ela aceita um pouco de cada, ela se alimenta das diferenças, da evolução, do crescimento, do desafio. É preciso ter coragem para desenvolver resiliência, por vezes, é preciso abrir mão das nossas convicções. É difícil, mas não somos incapazes. E então, de que lado você está?

SOBRARE

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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