Conversando sobre a Abordagem Resiliente com os Coaches em Resiliência


13/10/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Após, 23 anos de trabalho na área de Recursos Humanos, e mais alguns, anteriormente, em finanças, ela chegou à sua idade de aposentadoria. Aposentou-se cedo, 53 anos de idade.

Fazia tempo que ela pensava em como seria sua vida quando chegasse o tempo de se aposentar.

Parar de produzir, nem pensar. Havia uma convicção de que quanto maior fosse sua idade, maior seria suas maturidades – me refiro à emocional/psicológica e a profissional. Havia, entre os anos de experiência, aprendido a entrar e a sair. A falar e a ficar calada. A bater e receber, a perder e a conquistar.

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Em sua trajetória de vida se envolveu com flores – gostava de orquídeas -, e literatura. Cultivava vários tipos de orquídeas e apreciava os autores de livros sobre grandes dramas da vida.

Quando chegou na SOBRARE para sua formação, logo identifiquei sua sagacidade ao estruturar suas ideias e também sua curiosidade em aprender.

Regina estava buscando dar continuidade aos seus planos de manter-se em atividade.

Logo nos primeiros módulos de ensino fomos discutindo uma definição contemporânea para a resiliência.

Expliquei à turma, e, com foco especial nela, que Resiliência é uma capacidade intrínseca a todos os seres e coisas vivas. Em nós humanos, é uma conjunção de recursos biológicos, recursos psíquicos e de recursos sociais que estruturam a superação de adversidades que ameaçam nossa existência. Essa forma de conceituar está alinhada como a minha perspectiva psicossomática do Homem que experimenta sua resiliência. Comecei a esboçar essa visão já no mestrado quando frequentava o Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar da PUC-SP.

Nessa forma de compreender temos que vivemos em “sistemas relacionais”nos quais os recursos se comunicam através de gerações por meio da linguagem, perpetuando e renovando processos regenerativos, mitos, crenças, padrões e narrativas, organizando e constituindo o Ser Humano2.

Aproveitei e fiz considerações de que no Brasil, com todas as suas necessidades, a contribuição da resiliência no campo do trabalho é significativa. Justificam-se os esforços realizados quanto às aplicações de resiliência com os colaboradores e seus gestores. No Brasil as pesquisas estão crescendo em número e em qualidade no âmbito acadêmico junto à compreensão das aplicações no campo das empresas.

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Aproveitei e fiz considerações de que no Brasil, com todas as suas necessidades, a contribuição da resiliência no campo do trabalho é significativa. Justificam-se os esforços realizados quanto às aplicações de resiliência com os colaboradores e seus gestores. No Brasil as pesquisas estão crescendo em número e em qualidade no âmbito acadêmico junto à compreensão das aplicações no campo das empresas.

Discutimos que para a estruturação do meu conceito de resiliência, trabalhei com o argumento desenvolvido por Aaron Beck de que as pessoas desenvolvem ao longo de suas vidas crenças (convicções) acerca de suas habilidades em lidar com as coisas que lhes acontecem. São crenças e valores estruturantes em uma pessoa. São matrizes responsáveis pela organização das idéias mais básicas nas pessoas. Dentro da teoria de Beck há os chamados de Esquemas Básicos de Crenças3 que me serviram de referenciais.

Expliquei que outro conceito desenvolvido nessa jornada, e que temos considerado quando examinamos a literatura sobre resiliência, é que nós podemos encontrar nas pessoas áreas em que elas se mobilizam quando estão vivenciando adversidades, desafios, problemas, enfim, situações onde ocorre a necessidade de superação. Essas áreas mobilizam crenças profundas como a capacidade de resolução de problemas, sentir-se amado, ver-se interessante para outras pessoas, administrar-se emocionalmente, lidar com as alterações fisiológicas, entre outras.

E ainda que recorri à ideia de Cyrulnik que trabalhou a imagem do ato de “tricotar recursos profundos”4 para superar adversidades. Entendi que no tricotar desses recursos, a resiliência se apresenta como um conjunto de recursos5 que estão além da capacidade de organizar estratégias de enfrentamento intelectual – como as estratégias de coping. A vida (ser concebido, nascer, viver, amadurecer e caminhar para a morte) então, é um contínuo “tricotar” de possibilidades. Será, fundamentalmente, a função de sucessivas e contínuas reintegrações resilientes. Ou, se trata da Lei da ruptura e da reintegração onde para aprender e sofrer mudanças significativas devemos nos desintegrar; durante esses períodos de caos, corremos vários tipos de riscos, já que não podemos saber antecipadamente que direção nosso futuro vai tomar; ao nos tornarmos mais sábios e flexíveis, cada período de ruptura e de integração é necessário para que possamos enfrentar a adversidade6; se falharmos na tentativa de atravessar bem qualquer ciclo, podemos ficar mutilados, perdendo as forças necessárias para lidar com outro ponto de bifurcação”7.

Conversamos que a resiliência se reconstrói.

E devido a esses argumentos encontrados na literatura tenho interpretado nossos dados e publicado pesquisas8 afirmando que a resiliência se trata da procura de soluções geradas na angústia humana. A angústia humana aparece quando uma pessoa percebe em risco sua sobrevivência física, social, cultural, psicológica e espiritual e busca dentro de si recursos que vão além dos esquemas neuronais habituais ou da cognição consciente. Em tais condições há uma nítida compreensão de que está acontecendo não um estresse de uma situação do cotidiano – como a falta de dinheiro para as contas do mês, um problema de conhecimento como os de física, química ou matemática, ou um mal-estar com alguém de nosso relacionamento. A compreensão que mencionamos é de que há em curso uma circunstância que coloca em risco a sobrevivência em uma área vital da vida.

Nessas circunstâncias há a mobilização de recursos profundos (crenças e valores) que se estruturam a partir do significado que a vida tem para uma pessoa – por isso dizemos ser da angústia humana. Em tais circunstâncias são os processos resilientes de sustentação à vida que estarão em curso – é o que chamamos de transcender às condições de perigo que colocam a sobrevivência em risco.

Decorrente disso interpretamos os dados colhidos nas pesquisas, que a resiliência em nós humanos, se apresenta como a capacidade de transcender diante do imponderável e de fomentar inusitados processos de solução, cura e saúde.

Ela, a nova aluna no curso de formação, durante todo o módulo fez integrações com seus autores preferidos que falaram sobre a busca da excelência nas competências, em outros que se focaram na qualidade das relações entre líderes e liderados e de várias de suas vivências em projetos que objetivaram melhorar o desempenho das pessoas em que esteve envolvida até a pouco tempo.

Não houve dúvidas em mim que ela havia feito as ligações necessárias para perceber que, como Coach, poderia continuar a ser fundamental nos processos de transformação de outras pessoas.

Continuaria na ativa!!!

Ver e entender a resiliência nesse modo cientificamente estruturado dava-lhe a segurança que precisava.

Agora só lhe faltava entender como era a estrutura do processo de coaching e como ele se relacionava com a teoria de Back.

O que eu sabia que iria só ocorrer quando ela chegasse no segundo módulo.

Se você deseja ler um pouco mais, busque por:

1 – BARBOSA GS; DAWEL, G. Modelo Barbosa & Dawel. In: Apresentação de trabalho na 55a. Reunião Anual da SBPC, 2003, Recife. 55a. Reunião Anual da SBPC, 2003.
2 – BARBOSA GS. Exposição da técnica – DCCF. Diagnóstico da Comunicação familiar. Um recorte de Tese de Mestrado. 2001. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
3 – FREEMAN, A., DATTILIO, F. M., Compreendendo a Terapia Cognitiva. Editorial Psy, 1998.
4 – CYRULNIK B. Les Vilains petits canards. Paris: Odile Jacob; 2001
5 – SLAP G. B. Conceitos atuais, aplicações práticas e resiliência no novo milênio. Adolescência Latinoamericana. 2001;2(3):173-176.
6 – RICHARDSON G. E. The metatheory of resilience and resiliency. J Clin Psychol. 2002;58(3):307-321.
7 – FLACH F. Resiliência: A arte de ser flexível. Traduzido por Wladir D. São Paulo: Saraiva; 1991.
8 – BARBOSA, G. Resiliência em professores do ensino fundamental de 5ª a 8ª série: Validação e aplicação do “questionário do índice de resiliência: adultos – R – S / Barbosa”. Tese de doutorado – Núcleo de Estudos Pós-graduados em Psicologia Clínica da PUC-SP. 2006.

Imagens: Freepik

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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