Como o Coach deve organizar e se preparar a sua sessão no Coaching em Resiliência


24/06/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Hoje eu quero falar sobre a disciplina de se preparar. Me refiro à preparação necessária antes de uma sessão de coaching em resiliência. Todos aqueles que pensam em se dedicar ao coaching já devem ter cogitado em como vão se organizar para suas sessões.

Cerca de um mês atrás eu estava em um evento e, ao término, já me propondo chamar um táxi, um colega perguntou se eu queria uma carona. Ele me contou que estava indo realizar uma sessão de coaching. Celebrei com ele essa alegria de fazer um coaching e como essa atividade é prazerosa. Eu realmente fiquei feliz, afinal, o colega é alguém que tem uma carreira. Eu admiro muito o modo dele levar as questões do coaching.

No percurso da carona ele foi comentando alto o modo como iria dirigir a sessão. Gostei muito dele porque em todo tempo ele não mencionou detalhes ou características de seu cliente. Eu me sinto muito constrangido quando outro profissional faz comentários pessoais sobre seus clientes. Eu acredito que o profissional do coaching deve saber manter a boca fechada sobre as peculiaridades de seus clientes. E tem mais, já que é o Coach que decide trabalhar com certo cliente, cada um tem os clientes que merece ter. Sendo assim, qualquer comentário pessoal é desnecessário.

Mas, ele ficou nos aspectos técnicos da sessão. Ele trabalha com outra metodologia que eu conheço e, por isso, trocou algumas impressões estruturais comigo. Lá se foi embora o meu colega depois de me deixar próximo do meu destino.

Comigo ficou ainda a conversa que tivemos sobre as razões dele estar decidido aplicar no cliente uma ferramenta que conhecíamos. Eu o questionei sobre isso: Como assim, você vai aplicar um procedimento com o cliente? Como você sabe se o cliente aceita essa ferramenta?

Ele me respondeu: Tenho certeza que ele ainda não a conhece.

Eu perguntei: Então, como o cliente vai ter condições de argumentar com você sobre a decisão de aplica-la?

Ele: Não vai. Eu sou o coach e sei o que é melhor para o processo.

Eu argumentei que a técnica que ele estava pensando em usar deveria surgir a partir de uma solicitação do cliente e não da iniciativa dele.

Ao que o colega respondeu: E vou pedir permissão a ele!

Bem, acredito que não se deve dar “pitacos” no trabalho dos outros. Principalmente do meu colega que admiro muito. E tão pouco era motivo para se criar um debate. Essas e outras semelhantes, são questões estruturais que nos distinguem dentro do coaching.

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No Coaching em Resiliência não aplicamos técnicas ou ferramentas em nossos clientes. A menos que a solicitação parta do próprio cliente. Por exemplo, uma cliente estava trabalhando suas dificuldades de organizar-se financeiramente e me perguntou: Como você faz?

Ao que respondi: Uso uma planilha que elaborei. Para mim é o bastante e funciona.

Ela refletiu: Pensando na sua que funciona o que você sugere para mim.

Respondi: Você fazer a sua, faz sentido para você?

Ela: Sim. Não sei por onde começar.

Eu: Começar por um modelo pronto no Excel, é uma boa possibilidade para você?

Nesse momento ela imediatamente pegou o celular o começou a digitar. Eu vi que abriu o Excel e ela falou: Pronto, começamos?

Eu, ainda surpreso pela ação imediata dela, lhe falei: Agora você pode ir em Novo e lá tem vários modelos de documentos com os quais você pode iniciar a sua. E emendei uma pergunta estratégica: Qual das suas necessidades, que estamos focando, essa nova planilha irá atender?

Ela voltou a atenção para as necessidades pessoais que vínhamos trabalhando e passou a relacioná-las com a possibilidade de estruturar uma planilha própria. (deixando o celular ao lado).

Teoricamente isso se traduz em: No Coaching em Resiliência mantemos o tempo todo o foco na pessoa do cliente e não nas coisas que o cliente está discutindo.

Se pensarmos nas qualidades e atributos de um(a) Coach reconhecido pela Federação Internacional de Coaches (International Coach Federation – ICF) encontraremos que um coach mantém a conversação e leva a condução da sessão em busca dos resultados explicitamente indicados pelos clientes. Toda e qualquer ação irá ter em consideração o direcionamento indicado pelos clientes. O respeito por isso é um dos marcadores do coaching de boa qualidade.

Outro aspecto que recebe orientação por parte da Federação Internacional de Coaches (ICF) é que as perguntas dirigidas aos clientes sempre não são diretivas, fechadas, e, portanto, não são direcionadas em uma determinada decisão ou direção. São abertas e flexíveis para que o cliente possa dar o direcionamento que deseja encontrar em seu processo.

Outro marcador que recebemos da ICF é que o coach deve “convidar” ao cliente a considerar se deseja utilizar uma determinada ferramenta, técnica, instrumento ou opinião. E é fundamental que fique claro ao cliente o objetivo de melhora de sua aprendizagem.

Ainda mais, a ICF nos orienta a deixarmos nossos clientes absolutamente livres para se posicionarem sobre qualquer contribuição que possamos apresentar como uma possibilidade no processo. Esse respeito é um dos pilares do bom coaching. Isso porque o coach necessita ter o zelo de explorar aquilo que é mais significativo ou relevante para chegar aos resultados esperados pelo seu cliente.

E tal esforço se alicerça no respeito aberto às decisões e opiniões do cliente.

Nesse sentido um dos marcadores mais distintos é a preocupação em ajudar ao cliente a definir e explicitar aquilo que crê que deve abordar durante as sessões de coaching tendo em consideração os resultados esperados.

E, por fim, a ICF nos incentiva sempre a reconfirmarmos com os clientes quais são as medidas de êxito que buscamos com o ferramental e técnicas que produzimos na parceria do processo. E, no caso, do cliente mudar o curso, a direção do processo, o coach deve sempre estar aberto a tal possibilidade, confirmando-a com seu cliente e se realinhando a elas.

Foi por tudo isso que me questionei no breve diálogo que tive com o colega. Acredito que os parâmetros delineados internacionalmente devem estar acima dos nossos gostos pessoais. Tais padrões nos colocam no mesmo patamar de qualquer coach ao redor do planeta. Caso contrário, fica algo pessoal, dependendo do gosto e do estilo de cada pessoa – o que me parece ser muito perigoso, haja vista ser alguns de nós no pessoal mais acolhedores e outros de nós coaches bastante intensos na comunicação.

É para não cairmos nos estilos e jeitos pessoais que as organizações internacionais como a ICF produziram os parâmetros para um bom processo.

Convido você que vai se engajar na vida profissional como Coach a conhecer mais sobre o assunto.

SOBRARE

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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