Como não falar de Boris Cyrulnik


02/06/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Aos apaixonados por estudar e conhecer mais sobre os aspectos da resiliência, vai ser difícil não chegar até Boris Cyrulnik.

Cedo ou tarde, você vai encontrar alguma referência de seu nome em artigos e publicações, ou até mesmo, algum de seus livros nas prateleiras de uma grande livraria.

Já que podemos contar com todo o legado que esse SOBREVIVENTE coloca a nossa disposição, este post irá ressaltar a história e contribuições de Boris Cyrulnik, para o desenvolvimento da resiliência.

Separe um bom café ou se ajeite na cadeira e vamos conhecer melhor esse grande autor.

Boris Cyrulnik

Cyrulnik passou parte de sua infância nos campos de concentração na Alemanha de Adolf Hitler no período de guerra. Foi o único sobrevivente depois de perder os pais, irmãos e amigos.

Após a guerra, ele vagou por abrigos e acabou indo morar em uma fazenda de beneficências, e foi analfabeto até a adolescência, restando-lhe apenas a vida, a esperança e a resiliência. Felizmente, alguns vizinhos desse novo ciclo de vida lhe proporcionaram o princípio do amor, do sentido de vida e da literatura, que lhe tornou capaz de educar-se e crescer superando seu passado.

Boris Cyrulnik

Apesar da adversidade, conseguiu estudar, ingressar na universidade e construir uma vida que é digna de exemplo.

Cursou a faculdade de medicina, se formou em médico neuropsiquiatra e psicanalista.

Boris ainda está proporcionando muito conhecimento sobre resiliência e hoje é considerado o mais importante estudioso do tema.

RESILIÊNCIA E PSICOLOGIA

Uma das maiores contribuições do autor, gira em torno do conceito de resiliência colocado em uma relação privilegiada com a psicologia. Para Cyrulnik, isso é empiricamente demonstrado, através de múltiplas experiências.

Como poderia justificar o desenvolvimento dos pilares da resistência (seguindo a linha de Edith Grotberg) a partir de uma perspectiva psicológica, apontando para a necessidade do “outro” para que todos os pilares fossem construídos sobre a trajetória de uma pessoa.

Essa linha de discussões, facilitou a compreensão do que isso significa para promover estes pilares, dando segurança para discutir programas educacionais, sociais e de saúde.

Entre as muitas experiências que justificam o conceito de resiliência, Boris Cyrulnik explica o que aconteceu durante a guerra no Líbano, em Beirute e Trípoli:

Enquanto Beirute era uma cidade mais cruelmente bombardeada, com mais mortes e meses de guerra, os estudos de campo mostraram que as crianças em Beirute tinham muito menos casos de síndrome pós-traumática. Enquanto em Trípoli, foi mais tranquila.

A própria situação de Beirute fez aumentar a solidariedade e o contato familiar, enquanto em Trípoli as crianças estavam sofrendo muito com o simples abandono emocional e fraternal.

Órfãos que trabalharam após a queda de Ceaucescu, deixaram de ser solitários para estudar, ter uma carreira ou começar uma família, após um programa de assistência social.

Mais surpreendente foi o estudo controverso sobre as crianças com problemas de abuso na família, no qual verificou-se que os traumas não vêm de fato do abuso em si, mas a falta de afeto na atmosfera diária da família.

Não importa o quão sério foi o sofrimento, a psique, será tão flexível que com ingredientes certos de contato humano, empatia e otimismo poderão trazer à tona os comportamentos resilientes.

Uma vez questionado, Boris Cyrulnik explica que ele escolheu esses casos extremos, porque eles são mais fáceis de visualizar o problema, para esclarecer que a capacidade de resiliência não tem fronteiras de nacionalidade, status ou limite de idade. Ele respondeu rindo:

“Mesmo depois de 120 anos em Toulon, estamos trabalhando com pacientes de Alzheimer que se esquecem das palavras, mas não as emoções, gestos ou músicas”.

O autor ainda complementa que não podemos dizer que uma criança é mais resiliente que outra. Mas, podemos dizer que quando no ambiente de uma criança as condições de resiliência são maiores e numerosas, esta criança tem mais probabilidade de desenvolver um processo de resiliência.

É preciso estudar quais são as condições internas da criança. Se ela adquiriu um apego seguro terá mais facilidade para falar, se expressar e poderá buscar um substituto afetivo em caso de infelicidade. É um ponto forte que está dentro da pessoa.

Precisa buscar no ambiente se tem algo de família, se a cultura estigmatiza a criança dizendo “você é um órfão ou bastardo e não vale nada” ou “depois do que aconteceu você não poderá seguir adiante”.

Nestes casos não há grandes possibilidades de resiliência.

Portanto, se a família, o bairro e a cultura impactam positivamente a criança, apoiando e dando suporte, a probabilidade de resiliência será ainda maior.

Por exemplo, uma agressão sexual. Se a agressão sexual acontece fora da família e a criança recebe apoio, ela sofrerá, mas a possibilidade de ter comportamentos resilientes será grande.

No entanto, se a criança é agredida por alguém da família não apenas haverá agressão sexual mas, também, haverá uma traição. É muito frequente, a família não quer acreditar na criança.

As possibilidades de resiliência, neste caso, serão pequenas. Porque se não existe apoio à criança ferida em seu ambiente, esta terá dificuldades de retornar ao seu desenvolvimento.

Contribuições de Boris Cyrulnik

Boris Cyrulnik é um excelente comunicólogo e pedagogo. Quando se apresenta em rádios e televisões, sua voz grave e serena, seu humor natural e permanente facilitam a demonstração de suas teorias, reforçando o impacto de sua comunicação oral.

A recepção de seu discurso pelos ouvintes é também facilitada por uma retórica que se nutre de sua história pessoal, marcada por traumatizantes acontecimentos familiares que perturbaram-lhe a infância, como já foi citado no início desse texto

A partir dessas experiências que o menino Boris pode construir sua personalidade, superar os traumatismos que sofreu e elaborar sua resiliência.
Em 2012 a SOBRARE teve a grande oportunidade de participar do 1° Congresso Mundial sobre Resiliência em Paris (FR), evento que contou com a participação de Boris Cyrulnik.

Nossa equipe se fez presente com uma apresentação de sua metodologia “Abordagem Resiliente” onde expôs aos cientistas como atávamos atuando no Brasil. O foco principal da exposição foi que a promoção de resiliência pode ser realizada por meio de um mapeamento estatístico de crenças e de ações que reorganizem as vulnerabilidades cognitivas identificadas nesses mapas mentais.

O resultado da nossa participação você pode encontrar aqui nesse link.

Cyrulnik escreveu 22 livros até hoje em sua carreira, cuja a lista podemos encontrar no artigo que lhe consagra na Wikipedia francesa. Mas, vamos separar 4 livros que são essenciais para você conhecer sobre as contribuições do autor para o desenvolvimento da resiliência.

Autobiografia de um espantalho
Corra, a vida te chama
Os patinhos feios
Os alimentos afetivos o amor que nos cura

O que você achou sobre as contribuições de Cyrulnik para o desenvolvimento de comportamentos resilientes? Comente aqui abaixo se você já conhecia o trabalho desse grande protagonista da resiliência e o quanto ele impactou a sua vida ou os seus estudos.

Referência desse texto
http://www.redsistemica.com.ar/melillo.htm
http://www.polbr.med.br/ano12/fran1112.php
https://fr.wikipedia.org/wiki/Boris_Cyrulnik

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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