Coaches Psicólogos aplicando a Abordagem Resiliente (ARslnt) em processos de psicoterapia


03/06/2016 | Publicado por SOBRARE | Sem Comentários


Nesse post eu gostaria de abordar um dos assuntos que a Doutora Rosana Trindade irá trabalhar no 3º Congresso Brasileiro de Resiliência nesse novembro de 2016. Me refiro ao minicurso que será ministrado por ela sobre as possibilidades de nós, os psicólogos, utilizarmos a teoria da “Abordagem Resiliente” (ARslnt) -, que estruturou o Coaching em Resiliência, como uma metodologia em psicoterapia.

No Brasil, nós os psicólogos, ainda não temos uma proposta como essa. E esse tem sido um desafio de um grupo de psicólogos vinculados à SOBRARE, como eu, João Marcos Varella, Cristina Monteiro e a Dra. Rosana Trindade. Temos trabalhado nesse ideal e desejamos avançar em pesquisas clínicas nessa direção.

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Os psicólogos, em geral, se comprometem, continuamente, a terem um desempenho que promova ganhos objetivos na saúde de seus clientes. Para tanto buscam estarem envolvidos em alguma aprendizagem durante toda sua vida profissional. Desde estar atualizados como especializados é uma grande bandeira dos profissionais da psicologia. Em relação à resiliência isso não é diferente.

Por isso tenho quatro objetivos neste post:

  • O primeiro é de tornar conhecidas as bases desse pensamento.
  • O segundo é de disseminar o conhecimento para uma investigação científica dentro da pesquisa em psicoterapia e outras possibilidades de intervenções clínicas que impliquem em ter evidências para a tomada de decisão no campo da saúde.
  • Acredito que, em terceiro, promover a interlocução entre pesquisa e prática clínica.
  • E, em quarto, desejo motivar e incentivar outros colegas se unirem a esse ideal.

Desafios aos psicólogos

Face a esses objetivos coloquei-me a estudar quais são os desafios para nós os psicólogos, no sentido de utilizarmos a proposta da Abordagem Resiliente (ARslnt) para ser aplicada em processos de psicoterapia como um método e, não apenas, como um conhecimento genérico que permeia os conhecimentos do profissional.

Busquei responder a 08 questionamentos de “como” que me foram suscitados:

  • Como podemos combinar o processo psicoterápico à compreensão de resiliência;
  • Como recorrermos às possibilidades da conceitualização aplicada à resiliência para gerar consciência e recursos para a superação, remoção e minimização de obstáculos para melhor saúde integral;
  • Como identificarmos procedimentos específicos para promover condições do comportamento de superação resiliente em indivíduos com graus de resiliência comprometidos com a rigidez;
  • Como podemos descrever intervenções em adversidades e sintomas de estresse por meio de uma perspectiva da “Abordagem Resiliente” (ARslnt);
  • Como definirmos usos efetivos de intervenções e aplicações para mudar crenças e promover mudanças de longa duração relacionadas com a recuperação ou superação de quadros disfuncionais;
  • Como planificarmos estratégias para prevenção e manutenção das fortalezas;
  • Como identificarmos crenças nos terapeutas que podem interferir no processo de decisões clínicas e,
  • Como identificar modos e estratégias de desenvolver um contexto no qual se possa entender melhor a experiência da resiliência e identificar as reações associadas.
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Introdução ao racional teórico

A Psicoterapia com um enfoque na Abordagem Resiliente (PAR) seria uma metodologia que identifica os estilos comportamentais desenvolvidos pelo cliente e lhe oferece rica oportunidade de se estruturar e se capacitar no âmbito da resiliência.

Seu objetivo primário é fortalecer os fatores da flexibilidade, da proteção, da coesão e da determinação em prol da melhor gestão da vida.

Fundamentos teóricos

a) Fundamentos na Terapia Cognitivo-comportamental (TCC) e Terapia do Esquema de J. Young.
Os pressupostos teóricos estão majoritariamente fundamentados na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia do Esquema, à qual nos dá possibilidades de trabalharmos amplamente com os Esquemas de Crenças Subjacentes e os Pensamentos Automáticos.

b) Fundamentos na Abordagem Psicossomática
A abordagem psicossomática nos permite compreender o homem como uma unidade que se expressa por meio do biológico, do psíquico, do social e do espiritual. Dessa forma os Modelos de Crenças que Determinam o comportamento perpassam pela dimensão emocional, psicológica, física e ambiental do humano.

c) Fundamentos na Abordagem Resiliente
Os argumentos descritos tanto na TCC como na Abordagem Psicossomática me possibilitaram organizar o referencial teórico da Abordagem Resiliente que compreende a resiliência como resultado do processamento mental expresso de forma comportamental.

O processamento mental em torno da resiliência se organiza em oito macros modelos estruturantes da resiliência. Por meio de revisão bibliográfica constatamos que esses processamentos mentais específicos em torno da resiliência evidenciaram que tais crenças gerais sobre resiliência podem ser agrupadas em oito modelos cognitivos matriciais que são germinativos da resiliência. Entendo esses como fluxos que, devido ao uso rotineiro, se tornam recorrentes, e se apresentam como modelos de crenças que determinam como a pessoa expressará seu comportamento no que se concerne a resiliência. Portanto, denominei cada um de Modelo de Crenças Determinante (MCD) para a resiliência.

Esses são os MCDs que já descrevemos em outros posts e favorecem o mapeamento de como se dá a atribuição de significados do cliente quando se lhe são apresentadas diversas situações problemas.

Esse racional me permite planejar o desenvolvimento de estratégias de flexibilização face ao estresse. De exercitar, no devido tempo, possíveis exposições por meio de passos objetivos, diante de situações de risco como culpa, vergonha, asco, dor, impotência, desvalia, ira, impiedade, propensão a promover assédio entre as condições estruturadas a partir de emoções.

Também de gerenciar o nível do engajamento de terapeutas e dos participantes que estejam sob os efeitos de pressão. De avaliar nos processos se há específicas aplicações a quadros psicopatológicos. De trabalhar em prol de possibilidades de desenvolver autoaprendizagem para que ocorra autodesenvolvimento nos participantes.

E, delinear uma estrutura flexível (protocolo) para um atendimento dentro desse racional que contemple: Clara atribuição de papéis e responsabilidades ao longo de todo o processo; rotinas de comunicação aberta da parte de terapeutas e participantes, visão compartilhada acerca da metodologia em curso; transparência em objetivos e propósitos dos envolvidos e abertura e flexibilidade para se reposicionar sempre que necessário.

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Estrutura (protocolo) da Sessão

Procedimentos:

1) Avaliação do Progresso (Accountability)
Inicialmente faz-se uma breve avaliação do progresso que pode ser percebido até este momento.
Para tanto se apresenta perguntas como:
O que foi enfrentado e conquistado desde a última sessão?
O que você já fez e que ajudou muito a trabalhar com essa situação?

A seguir para ampliar o entendimento, se questiona:
Há algo ou uma situação em que, você mesmo, se tornou um obstáculo para a superação?
Há algo que você pode fazer hoje, para melhor trabalhar com essa situação, tendo em conta os seus recursos internos?

E para delinear o prosseguimento do passo se explora:
Quais são as possibilidades concretas que você planeja atingir nesse passo, a partir dessas novas percepções?
Você acredita que exista algum impedimento que não permita a você atingir o que deseja?

2) Desenvolvimento do processo
O processo terapêutico tem a previsão de duração de doze semanas.
a. Primeira sessão para informações sobre Documentos, Agenda e Esclarecimentos quanto a natureza do processo, Instrumentos, Expectativas dos voluntários.
b. Mapeamento da resiliência por meio da escala de mapeamento da resiliência QUEST_Resiliência.
c. Conversação em busca de ampla compreensão dos resultados obtidos na escala.
d. Realização das sessões de psicoterapia.
e. Organização de resultados.
f. Planificação final.

3) Andamento das sessões
Para organizar a coleta de dados no decurso do processo estruturamos folhas de registros para a conversação terapêutica da seguinte forma:
Uma coluna como diversas linhas para anotar, em cada uma das suas linhas, a menção de palavras relacionadas com a temática geral da resiliência ou de citações especificas referente aos MCDs. Em cada linha dessa coluna anotamos o número de palavras chave (# key words) que vão aparecendo na fala do cliente.
Na coluna seguinte, em cada uma das suas linhas, registramos a menção de MCDs que evidenciam mudanças na compreensão do tema discutido.
E, por fim, na terceira coluna registramos, em cada uma das suas linhas, alusões de percepções de mudanças de crenças em andamento ou efetivadas durante o processo psicoterápico.

Conclusões

Para não ficar longo demais esse artigo, em outros posts futuros iremos detalhar mais essa fase do andamento das sessões.

Contribuições com da Abordagem Resiliente (ARslnt) aplicada em processos de psicoterapia são constatadas devido ao participante evidenciar um número maior de alusões às percepções de conteúdo dos MCDs em suas crenças pessoais. Uma profunda ampliação do pensamento e da consciência, a geração de novas percepções e fortalecimento das potencialidades relacionadas com o enfrentamento de adversidades -, o estresse.

O uso da Abordagem Resiliente aqui se assemelha com o processo que trabalhamos no Coaching em Resiliência e que aqui ocorre por outras vias – a psicoterapia.

Durante o minicurso no 3º CBR 2016, teremos condições de aprofundarmos essas possibilidades e ampliarmos a prática dessa inovadora abordagem no campo da psicoterapia.

Leituras que nos auxiliam nesse intuito:

Core Competencies in Cognitive-Behavioral Therapy: Becoming a Highly Effective and Competent Cognitive-Behavioral Therapist (Core Competencies in Psychotherapy Series) Cory F. Newman
Cognitive Behavior Therapy, Second Edition: Basics and Beyond [Hardcover] Judith S. Beck (Author), Aaron T. Beck (Foreword)

Imagens: Projetado pelo Freepik

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Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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