5 filmes que retratam a resiliência [PARTE 2]


13/09/2016 | Publicado por SOBRARE | 1 Comentário


Em Julho deste ano, nós publicamos aqui no blog um texto que falava sobre 5 filmes que retratam a resiliência. Se você quiser saber mais sobre esse primeiro post, clique aqui.

Todos traziam aspectos e conceitos que estavam relacionados a resiliência. No post de hoje vamos indicar mais 5 filmes que mostram como essa competência pode ser aplicada quando há uma situação de forte estresse. Então, prepare a pipoca e boa sessão! 🍿🎬

Invictus (2009)

Recentemente eleito presidente, Nelson Mandela (Morgan Freeman) tinha consciência que a África do Sul continuava sendo um país racista e economicamente dividido, em decorrência do apartheid. A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi, pela primeira vez realizada no país, fez com que Mandela resolvesse usar o esporte para unir a população. Para tanto chama para uma reunião Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da equipe sul-africana, e o incentiva para que a seleção nacional seja campeã.

No filme é possível notar as áreas da resiliência como empatia, conquistar e manter pessoas e autocontrole, análise do contexto.

Já no começo do filme Mandela, quando libertado, percebe que seu país ainda enfrenta uma forte divisão entre negros e brancos. Devido a sua análise do contexto, acredita que por meio do rúgbi pode encontrar uma forma de tornar a sua população unida caso o time venha a ser campeã nacional.

Para que isso aconteça, Mandela precisou conquistar pessoas que o ajudassem nessa missão. E principalmente, mantê-las próximas a ele e com o pensamento de que a união do país precisava ser estabelecida. Então, Mandela encontra Pienaar, capitão do time de rúgbi, e o encoraja a ajudá-lo na luta pela igualdade.

O autocontrole podemos perceber durante todo o filme, onde diversas vezes Mandela e Pienaar são questionados pela sua ideia de usar o time de rúgbi para ser campeão nacional, já que o time não tinha boas condições e nem um histórico de vitórias. Também no começo do filme, é possível encontrar o autocontrole quando Mandela ainda se encontra preso e logo depois de sua saída, quando começa a ser questionado pela sociedade quanto a sua capacidade de liderar o país.

Por último está a empatia. Mandela sempre foi conhecido pela sua capacidade em ser empático e utilizar essa habilidade para conquistar a igualdade racial e se livrar do apartheid. No filme não é diferente, a sua relação com Pienaar mostra a empatia todo o tempo.

Histórias Cruzadas (2011)

Jackson, pequena cidade no estado do Mississipi, anos 60. Skeeter (Emma Stone) é uma garota da sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen Clark (Viola Davis), a empregada da melhor amiga de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista, o que desagrada a sociedade como um todo. Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões.

No filme é possível notar as áreas da resiliência como empatia, conquistar e manter pessoas, análise do contexto, otimismo para a vida e sentido de vida.

Após um período, Skeeter volta para a cidade de Jackson. Logo percebe que há um forte discriminação contra as empregadas domésticas que trabalham nos lares da cidade. Regras absurdas estavam sendo criadas e as mulheres negras estavam sendo tratadas como sujas e ignorantes. E é dentro desse cenário que Skeeter começa a desenvolver a análise do contexto.

Diante de toda a situação, Skeeter entende que precisa ter um posicionamento e então decide escrever um livro para relatar os abusos que ocorriam com as domésticas. Porém, há uma forte repulsa pela ideia e Skeeter encontra grandes dificuldades em colocar seu plano em prática. Ela percebe que é preciso conquistar as domésticas e mantê-las por perto para que a confiança seja criada em ambas as partes.

Aibileen Clark, uma das empregadas domésticas, aceita colaborar com Skeeter. Por ter passado por tanta discriminação e humilhação, Aibileen passa a acreditar que relatar suas histórias pode ajudar outras domésticas e mais, alertar a sociedade do que vem ocorrendo dentro dos lares da cidade. Nesse momento então, Aibileen passa a ter um sentido de vida maior junto a Skeeter.

O otimismo para a vida pode ser visto durante todo o filme. Apesar dos abusos e ameaças feito pelas patroas, as domésticas continuam unidas para contar a sua história e se apoiam de forma otimista visando um futuro melhor para todas. Por diversas vezes vemos cenas engraçadas onde as empregadas contam suas histórias com várias ironias soltas pela trama.

A vida é bela (1999)

Durante a Segunda Guerra Mundial na Itália, o judeu Guido (Roberto Benigni) e seu filho Giosué são levados para um campo de concentração nazista. Afastado da mulher, ele tem que usar sua imaginação para fazer o menino acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.

 

No filme é possível notar as áreas da resiliência como empatia, análise do contexto, autocontrole e sentido de vida. Esse filme é a resiliência pura do começo ao fim, concordam? É difícil, mas vamos tentar destacar alguns pontos para vocês.

No campo de concentração, onde Guido e Giosué se encontram, Guido faz seu filho acreditar que toda a situação de guerra e terror que havia ali fazia parte de um jogo que eles estavam participando. Guido se utiliza de toda a sua empatia para fazer com que o filho siga determinadas “regras” que foram estabelecidas para alcançar uma determinada quantidade de pontos.

Em meio a todo o caos, Guido precisa manter o seu autocontrole para conseguir criar estratégias que livrassem o seu filho de ser morto. Isso faz com que ele tenha que desenvolver também uma forte análise do contexto, tanto para livrar a pele dos dois quanto para aproveitar as situações para criar histórias fantásticas de aventuras para o seu filho.

Porém, a área da resiliência a ter um maior destaque nesse filme é o sentido de vida. Salvar Giosué do que estava pré-destinado a acontecer passou a ser o grande e único propósito na vida de Guido. E é por ter esse propósito que Guido consegue desenvolver muito bem quase todas as áreas da resiliência ao longo do filme. Vale muito a pena assistir!

À procura da felicidade (2006)

Chris Gardner (Will Smith) é um pai de família que enfrenta sérios problemas financeiros. Apesar de todas as tentativas em manter a família unida, Linda (Thandie Newton), sua esposa, decide partir. Chris agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher (Jaden Smith), seu filho de apenas 5 anos. Ele tenta usar sua habilidade como vendedor para conseguir um emprego melhor, que lhe dê um salário mais digno. Sua esperança é que, ao fim do programa de estágio, ele seja contratado e assim tenha um futuro promissor na empresa. Chris e Christopher passam a dormir em abrigos, estações de trem, banheiros e onde quer que consigam um refúgio à noite, mantendo a esperança de que dias melhores virão.

No filme é possível notar as áreas da resiliência como empatia, análise do contexto, autoconfiança e sentido de vida.

A área da resiliência que fica mais evidente nesse filme é o sentido de vida. Durante todo o filme vemos que Chris não desiste de seu sentido de vida que é dar e ter uma condição de vida melhor para sua família. Vemos a angústia, o sofrimento do personagem com as diversas dificuldades que ele passa, porém o mesmo sabe onde quer chegar e qual por qual caminho ir para conquistar o tão desejado.

Para alcançar esse propósito de vida, Chris usa de sua empatia para conseguir o estágio e a sua promoção tão desejada. Ele está constantemente persuadindo pessoas importantes a prestarem atenção nele e ao que ele tem a dizer e oferecer. Essa área da resiliência também pode ser observada na relação entre Chris e seu filho.

Outra área da resiliência a se destacar é a autoconfiança, quando Chris perde a sua máquina de raio-x. Nesse momento ele já havia gasto todas as suas economias e havia sido despejado. Porém, ainda assim tinha a confiança de que a máquina pudesse trazer sucesso a sua carreira.

Sabemos que máquina não trouxe, mas em meio aos apuros que ele passou com ela conseguiu desenvolver uma outra habilidade muito forte. Em diversos momentos Chris se utiliza de sua análise do contexto. Ele sabe como aproveitar as pistas que os momentos dão a ele e cria rapidamente uma estratégia para aproveitar as oportunidades. Ao mesmo tempo que ele percebe o que ocorre no ambiente, ele desenvolve a sua autoconfiança para encarar os homens que são os chefes da corretora onde ele desejava trabalhar.

O lado bom da vida (2013)

Por conta de algumas atitudes erradas que deixaram as pessoas de seu trabalho assustadas, Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu quase tudo na vida: sua casa, o emprego e o casamento. Depois de passar um tempo internado em um sanatório, ele acaba saindo de lá para voltar a morar com os pais. Decidido a reconstruir sua vida, ele acredita ser possível passar por cima de todos os problemas do passado recente e até reconquistar a ex-esposa. Embora seu temperamento ainda inspire cuidados, um casal amigo o convida para jantar e nesta noite ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma mulher também problemática que poderá provocar mudanças significativas em seus planos futuros.

No filme é possível notar as áreas da resiliência como conquistar e manter pessoas, otimismo para a vida, autocontrole e autoconfiança.

Por todo o filme, Pat e Tiffany precisam saber manter o autocontrole, afinal acabaram de sair de um sanatório e querem ser inseridos novamente na sociedade e ter um bom convívio. Porém, os dois sofrem de um forte transtorno bipolar e manter o autocontrole não é uma das tarefas mais fáceis. Para isso, acabam contando com a ajuda de parentes e amigos e até mesmo entre eles.

Essa ajuda acaba nos levando a área da resiliência de conquistar e manter pessoas. Aqui podemos destacar o personagem Pat, pois na história dele fica mais evidente essa habilidade. O seu plano era reconquistar a sua ex-esposa, e para isso precisa preservar seus amigos próximos a ele para conseguir manter o contato entre ele e a sua ex-esposa. O mesmo acontece em sua relação com Tiffany, mesmo ela sendo problemática e bipolar, Pat percebe que a interação entre os dois trazem bons momentos e sentimentos (coisas que ele precisa para se tornar melhor).

O otimismo vai sendo construído ao longo do filme, e aqui podemos destacar a personagem da Tiffany. Apesar de seu jeito sombrio e fechado, ela o tempo todo consegue manter o otimismo de que as coisas podem melhorar, e como prova de que isso pode acontece propõe a Pat de participarem de um concurso de dança.

E é pelo concurso de dança que os dois desenvolvem a autoconfiança. Durante o filme, diversos fatores o levam a quererem desistir do concurso, mas aquele era o maior desafio para provarem que estavam aptos a retomarem suas vidas socialmente. E o autocontrole, mais a autoconfiança e o otimismo se torna uma boa receita para o sucesso.

E você? Tem algum filme para nos indicar?
Esperamos fazer a PARTE 3 em breve e quanto mais sugestões recebermos melhor! Até a próxima.

SOBRARE

SOBRARE

Sociedade Brasileira de Resiliência, compartilhando conhecimento em resiliência e trazendo recursos necessários para que pessoas e organizações superem suas adversidades.

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1 Comentário

  1. Beni Cairolli disse:

    Excelente seleção! Todos esses filmes são maravilhosos! Eu acrescentaria “Comer, Rezar e Amar”, “Sob o sol da toscana, “127 horas”, “hoje eu quero voltar sozinho”, “um lugar para recomeçar”, “Gênio indomável”, “perfume de mulher” e “em busca de um caminho”, dentre uma infinidade… Desculpe, não resisti. Apaixonada por cinema…



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